PM que matou mulheres em Cariacica pode ser julgado pela Justiça comum

O cabo da PM Luiz Gustavo Xavier do Vale segue preso e deve responder por duplo homicídio

Escrito por Redação

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Foto: Divulgação / Redes Sociais

O governador do Espírito Santo, Ricardo Ferraço, se manifestou sobre o caso envolvendo o cabo da Polícia Militar, Luiz Gustavo Xavier do Vale, que matou duas mulheres no meio da rua no bairro Cruzeiro do Sul, em Cariacica, nesta quarta-feira (8).

Em nota oficial, o governador classificou a ação como uma “conduta inadmissível” e disse que o policial deverá ser julgado pela Justiça comum, já que o caso não foi um “crime militar”. Além disso, Ferraço afirmou que determinou rigor e rapidez na investigação dos fatos.

“Manifesto minha profunda indignação diante do duplo homicídio ocorrido hoje em Cariacica. Trata-se de uma conduta inadmissível, que não representa, em hipótese alguma, a postura da nossa Polícia Militar. Não toleramos esse tipo de comportamento dentro da corporação.

O policial foi preso imediatamente pelos próprios colegas, está sob custódia do Estado, e o caso será encaminhado à Justiça comum, por não se tratar de crime militar.

Em contato direto com o comando da PM, determinei que o caso seja tratado com celeridade e rigor absoluto na apuração, com responsabilização exemplar no que couber ao Estado, para que a justiça seja feita o mais breve possível”, declarou Ferraço.

Briga entre vizinhas teria motivado o crime

As vítimas, Daniele Toneto e Francisca Chaguiana Dias Viana, foram mortas após um desentendimento envolvendo a ex-companheira do policial. Segundo relatos, os conflitos entre as mulheres já duravam cerca de 10 meses.

De acordo com a ex-companheira do militar, as discussões eram frequentes e vinham se intensificando por questões de convivência.

“Elas vêm me testando, me provocando. Falando que se eu quero morar em outro lugar, é para eu sair daqui, porque a casa não é minha, que a casa é delas, e tudo por causa de um ar-condicionado”, relatou.

Ela afirmou ainda que a situação piorou na manhã desta quarta-feira (8), após novas ofensas. Segundo o relato, o filho do casal, de oito anos, que é autista, também teria sido alvo de comentários.

“Xingaram ele e falaram que ele não era autista porque estava jogando bola até altas horas da noite”, disse.

Foto: Reprodução / TV SIM SBT

Policial deixou serviço para ir até o local da briga

Após o episódio, a mulher contou que desceu até a rua com uma faca e teria sido agredida pelas vizinhas. Segundo o relato, ela foi empurrada contra um muro, teve o cabelo puxado e a unha quebrada. A briga só teria sido interrompida por outra moradora.

Em seguida, ela ligou para o ex-companheiro, que estava de serviço, pedindo ajuda.

“Eu falei que precisava de duas viaturas porque elas estavam me agredindo e agrediram o nosso filho. Ele veio, chegou com duas viaturas”, relatou.

Segundo o relato da mulher, os disparos aconteceram quando uma das vítimas teria avançado em direção ao policial. Ela afirmou que não conseguiu ver exatamente o que ocorreu, mas disse que viu o momento em que o militar sacou a arma e atirou. Imagens de videomonitoramento, porém, não mostram o fato citado pela mulher.

Moradores da região relataram ter ouvido mais de dez tiros. Uma das vítimas morreu ainda no local. A outra chegou a ser socorrida, mas não resistiu aos ferimentos e morreu no hospital.

O policial foi preso logo após o crime e o caso segue sob investigação.

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