Garrafas, papel e plástico deixaram de ser descarte e passaram a ter valor nas mãos de crianças atendidas pelo projeto $iclos Sustentáveis, desenvolvido pela Fundação Beneficente Praia do Canto (FBPC), em Vitória. O que antes iria para o lixo agora vira moeda social, usada no comércio do bairro.
A dinâmica é direta e acontece semanalmente. Toda quarta-feira, as crianças chegam com sacos de materiais recicláveis acumulados ao longo dos dias. Após a pesagem, recebem a moeda “$iclo”, calculada com base no peso e no valor de mercado dos resíduos. Esse crédito pode ser utilizado em estabelecimentos parceiros da região, como padarias e mercearias.
Como funciona na prática
O processo começa com a coleta feita pelos próprios moradores. Em seguida, os resíduos são separados corretamente, etapa tratada como central dentro das atividades. As crianças aprendem a diferenciar materiais, entender o destino de cada tipo de resíduo e reconhecer o impacto das escolhas no cotidiano.
Depois da triagem, os materiais são trocados pela moeda social. “As crianças trazem os materiais recicláveis que aprenderam a separar, recebem a moeda ciclo sustentáveis através do peso que trazem e podem usar no comércio local”, explica o coordenador do projeto, Eriksson Araújo.
O uso da moeda já integra a rotina da comunidade. Cinco estabelecimentos aceitam o pagamento, o que amplia a circulação local e reforça o vínculo entre moradores e comércio.
Educação e consciência

Além da troca, o projeto inclui oficinas ambientais. Nesse espaço, as crianças passam a compreender não só a importância da reciclagem, mas também conceitos como consumo consciente e valor do dinheiro.
“Acho muito bom, porque ajuda a tirar os lixos da rua, para trazer para cá, para ajudar o meio ambiente”, relata uma das crianças participantes. Outra resume o impacto no dia a dia ao dizer que “você consegue diminuir a poluição juntando essas garrafas”.
A proposta vai além da reciclagem. “A ideia é que o resíduo, que é um grande problema, trazendo doenças principalmente para regiões periféricas, se torne algo valoroso para essas crianças e suas famílias”, afirma Araújo, ao destacar que o território onde o projeto atua já foi um lixão.
Impacto local
Com cerca de um ano de funcionamento, o projeto tem consolidado uma rotina que combina educação ambiental, geração de renda simbólica e engajamento comunitário. Comerciantes locais também passaram a reconhecer os efeitos da iniciativa no movimento e na relação com os moradores.
Entre a coleta e a troca, o projeto constrói um ciclo que começa no resíduo e termina em consumo consciente, com participação ativa das crianças e impacto direto na comunidade.

