O alerta do Abril Marrom vai além da conscientização e traz um recado direto à população: muitas pessoas ainda perdem a visão por falta de prevenção. A campanha, realizada em todo o país, reforça a importância do cuidado com a saúde ocular e do diagnóstico precoce, especialmente em doenças que evoluem de forma silenciosa.
Entre as principais causas de cegueira estão o glaucoma, a catarata e a retinopatia diabética. Embora graves, essas condições podem ser controladas ou tratadas quando identificadas no início, o que aumenta significativamente as chances de preservar a visão.
De acordo com o oftalmologista Cesar Ronaldo Filho, do Hospital de Olhos de Vitória, o maior desafio ainda é a demora em procurar atendimento. “Muitas dessas doenças não apresentam sintomas nas fases iniciais. Quando o paciente percebe alguma alteração, o quadro já pode estar avançado, o que reduz as possibilidades de recuperação”, explica.
Dados reforçam a dimensão do problema. Mais de 1,2 milhão de brasileiros vivem com cegueira, segundo o Ministério da Saúde. Desse total, cerca de 60% dos casos poderiam ter sido evitados, de acordo com a Organização Mundial da Saúde. Isso representa quase 700 mil pessoas que perderam a visão por falta de diagnóstico e tratamento precoce.
A catarata lidera as causas de cegueira no mundo, sendo responsável por 51% dos casos, o equivalente a cerca de 20 milhões de pessoas. No Brasil, surgem aproximadamente 550 mil novos casos por ano, segundo a Sociedade Brasileira de Oftalmologia.
“O acompanhamento oftalmológico regular é fundamental, principalmente para quem tem fatores de risco, como histórico familiar, diabetes ou idade mais avançada. A prevenção ainda é o melhor caminho”, reforça o especialista.
Além das consultas periódicas, atitudes simples ajudam a proteger a visão, como usar óculos com proteção contra raios ultravioleta, evitar automedicação e manter doenças crônicas sob controle.
O Abril Marrom reforça que enxergar bem ao longo da vida depende de cuidado contínuo. Em muitos casos, a cegueira pode ser evitada com informação, atenção aos sinais e, principalmente, com a decisão de não adiar a ida ao oftalmologista.


