A escalada de tensões entre o Irã, Israel e Estados Unidos é o exemplo preocupante de como a polarização geopolítica pode levar não um país ao caos, mas todo o mundo globalizado.
Nesse cenário de análise, percebe-se que a polarização que leva a sérios conflitos, não se restringe somente aos conflitos geopolíticos. Ela é facilmente identificada na sociedade, nos negócios e até nas famílias, criando discussões que transformam desacordos em questões de “nós contra eles”.
Quando a polarização se instala, pequenos mal-entendidos podem rapidamente se transformar em crises incontroláveis. A falta de escuta, a radicalização das ideias e os julgamentos prévios, norteiam esse tipo de cenário e os levam a uma rápida escalada.
A lógica binária (nós x eles) impede a compreensão comum, dificultando a capacidade de encontrar soluções.
Então, o que fazer, se é notório que a polarização, qualquer que seja, gera consequências devastadoras?
A resposta rápida e rasteira está em não esperar que o outro mude de posição ou opinião. E entender definitivamente, que a desescalada começa em cada um de nós.
Na sociedade da terceirização de tudo e todos, falar de autorresponsabilidade parece loucura. Mas não é!
Quando se escolhe parar de fazer o jogo “nós x eles” tomando para si a responsabilidade de negar as reações automáticas, os julgamentos pré-fabricados, baixar a tensão e diminuir as emoções, permite-se que o diálogo seja restabelecido e soluções surjam e que possam ser benéficas para todos.
A desescalada de conflitos é um ato de responsabilidade pessoal que exige coragem para questionar as próprias certezas e visão. Não é fraqueza, é inteligência.
Na família, nos negócios, no trabalho, nas interações sociais, quem consegue gerir os conflitos e buscar entendimento genuíno é quem possui o verdadeiro poder.
Cada conversa que se escolhe ter com escuta empática, cada conflito que se busca resolver através do diálogo e não das armas (força, dinheiro, processo judicial, etc), é a construção de um mundo melhor e menos polarizado.
Ao olhar para o cenário de guerra atual, lembre-se que a paz comece com você e no seu mundo de atuação.
*Sabrina Nicoli é advogada especialista em gestão de conflitos.
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