Uma artesã de 29 anos, natural de Minas Gerais, foi presa nesta terça-feira (10) em Marataízes, no litoral sul do Espírito Santo. Ela é suspeita de integrar a mesma rede de exploração sexual infantil que levou à prisão de um piloto de aviação comercial em fevereiro deste ano.
De acordo com as investigações, a mulher enviava imagens sexualizadas da própria filha, na época com 2 anos, por meio de um aplicativo de mensagens ao piloto, apontado como chefe da organização.
A prisão ocorreu durante a segunda fase da Operação Apertem o Cinto, deflagrada pelos Departamentos de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) da Polícia Civil do Espírito Santo (PCES) e da Polícia Civil de São Paulo (PCSP).
Durante a ação, também foi cumprido um mandado de busca e apreensão na residência da suspeita. O objetivo era recolher o celular da investigada, aparelho que, segundo a polícia, era utilizado para enviar as imagens e receber pagamentos, cujos valores variavam.
Relação foi identificada após prisão de piloto
Após a prisão do piloto, os investigadores identificaram conversas e outros elementos digitais trocados entre ele e a suspeita.
“Após a extração dos dados do celular dele, foi possível identificar esse desmembramento da investigação, que levou a outras vítimas. Em decorrência disso, foi encontrada uma vítima que mora aqui no Estado, em Marataízes. A delegacia de São Paulo representou pela prisão dessa mãe, que explorava sexualmente a própria filha com utilização de fotos e vídeos, cometendo atos sexuais com essa criança, e encaminhava para esse homem”, explicou a delegada Gabriela Enne, do Departamento Especializado de Homicídios e Proteção à Pessoa (DEHPP) da PCES.
Conforme as investigações, o piloto conheceu a mulher em Marataízes, quando ela trabalhava como artesã na praia.
De acordo com a delegada, no momento da abordagem policial na casa da suspeita, ela permaneceu em silêncio e não quis explicar à família o que estava acontecendo.
“A família dela não sabia, ou pelo menos não aparentava saber. Demonstraram surpresa e indignação naquele momento. Esse crime só cessou quando ele foi preso e ela deixou de ter contato com ele. Ela não chegou a demonstrar arrependimento”, afirmou a delegada.
Possível encontro
Ainda conforme as investigações, havia a possibilidade de um encontro presencial entre a criança e o piloto.
“Nós conseguimos efetuar a prisão antes do encontro com ele. Existem diálogos desde agosto. Há indícios de conversas anteriores, mas que estavam apagadas. Existia diálogo falando sobre o encontro pessoal”, acrescentou a delegada.
A mulher será indiciada por estupro de vulnerável; exploração sexual infantil; produção, venda, compartilhamento e armazenamento de material de pornografia infantil, além de aliciamento de criança.
Piloto foi preso dentro de aeronave
Sérgio Antonio Lopes foi detido dentro de uma aeronave no Aeroporto de Congonhas, em São Paulo, no dia 9 de fevereiro.
Segundo a polícia, ele comandava uma rede de exploração sexual infantil, com estrutura organizada, divisão de funções e atuação coordenada entre diversos investigados.
Além do piloto, uma mulher de 55 anos também foi presa, suspeita de receber pagamentos para facilitar que suas netas, de 10, 12 e 14 anos, fossem abusadas pelo piloto. O piloto, de acordo com as investigações, vinha atuando na rede criminosa há pelo menos oito anos.


