Imagine descobrir que sua foto está sendo usada em um perfil falso ou em anúncios de golpe na internet sem que você saiba. Uma inteligência artificial criada no Espírito Santo foi pensada justamente para identificar esse tipo de situação antes que o problema ganhe proporções maiores. O projeto, desenvolvido em Vila Velha, será apresentado em um dos principais eventos de inovação da Ásia.
O desenvolvedor Flayks Max Conceição de Oliveira, de 28 anos, morador de Vila Velha, é quem está por trás da criação da NetSent AI. Ele foi selecionado para representar o Brasil no SusHi Tech Tokyo 2026, que acontece entre os dias 27 e 29 de abril, em Tóquio, no Japão.
Flayks criou a NetSent AI, um sistema voltado à proteção da identidade digital. A ferramenta ainda está em fase de protótipo e foi escolhida para apresentação no encontro, que reúne startups, investidores e especialistas de tecnologia de diversos países.
Natural de Itamaraju, na Bahia, ele chegou ao Espírito Santo aos 19 anos. Antes de entrar na área de tecnologia, trabalhou por anos na construção civil até ingressar na faculdade de Engenharia de Software. Hoje, vê no projeto a oportunidade de levar o nome de Vila Velha e do estado ao cenário internacional.
“Não foi nada fácil minha jornada até conseguir ingressar na faculdade de Engenharia de Software. Poder levar o NetSent para o SusHi Tech Talk é a realização de um sonho. Estou muito feliz de apresentar esse projeto e levar Vila Velha e o Brasil para o outro lado do mundo”, afirmou.
Ideia surgiu após invasão de contas
A criação da NetSent AI começou a partir de uma experiência pessoal. Flayks conta que ele e a esposa tiveram contas invadidas na internet e passaram a enfrentar o uso indevido de suas imagens em perfis falsos e anúncios de golpes.
O episódio revelou um problema que, segundo ele, se repete com frequência nas redes sociais. “Enquanto lutávamos para recuperar o acesso e limpar nossos nomes, percebi que não estávamos sozinhos. Ao olhar ao meu redor, vi dezenas de pessoas próximas postando alertas dizendo que não eram elas nas contas falsas”, relatou.
A partir dessa situação, ele decidiu desenvolver uma ferramenta capaz de identificar esse tipo de uso indevido antes que os golpes se espalhem. “Eu decidi que era hora de construir uma barreira tecnológica para que ninguém mais tenha sua imagem usada para aplicar golpes ou tenha uma vida digital paralela criada sem o seu consentimento”, disse.
Como funciona a tecnologia
A NetSent AI funciona como um sistema de monitoramento da identidade digital. A tecnologia utiliza algoritmos de visão computacional e análise de dados para identificar imagens e nomes que possam estar sendo usados em perfis, anúncios ou redes sociais sem autorização.
Segundo o desenvolvedor, a plataforma atua como um radar de identidade digital e faz uma varredura constante em ambientes online. O sistema busca padrões que correspondam à imagem e ao nome do usuário e analisa o contexto em que eles aparecem.
Quando identifica que a foto pode estar sendo usada em perfis novos, anúncios suspeitos ou redes sociais sem autorização, a plataforma envia um alerta imediato ao usuário.
“É uma tecnologia que enxerga a tentativa de golpe antes mesmo de ela ganhar escala, permitindo que o usuário tome providências antes que o dano à sua reputação seja irreversível”, explicou.
Evento reúne inovação global
O SusHi Tech, sigla para Sustainable High City Tech, é promovido pelo Governo Metropolitano de Tóquio e reúne soluções tecnológicas voltadas à transformação digital e à inovação urbana.
O evento conecta startups e empreendedores a investidores e oportunidades de desenvolvimento tecnológico em escala global.
Para Flayks, apresentar o projeto no encontro internacional também simboliza as oportunidades que encontrou no Espírito Santo. Segundo ele, foi em Vila Velha que conseguiu iniciar a formação em tecnologia e transformar uma experiência pessoal em uma solução voltada à segurança digital.


