IBEF Academy
A influência da imigração na economia das potências mundiais – parte 2
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O IBEF Academy é o programa de auto formação do IBEF-ES, com foco em gestão, economia, finanças e filosofia. Seu objetivo é contribuir para a evolução do ambiente de negócios no Espírito Santo, qualificando profissionais e fortalecendo o ecossistema econômico e financeiro do estado.
Na parte 1 deste artigo falei sobre como a imigração pode ter influenciado a economia americana. Agora, farei uma comparação com a China, país no topo dentre as maiores economias do mundo e com políticas imigratórias bastante diferentes da americana. Fazendo um pequeno comparativo, em 2016 a China emitiu 1.576 cartões de residência permanente para estrangeiros (mais do que o dobro do que havia emitido no ano anterior), enquanto os Estados Unidos emitiram cerca de 750 vezes mais, com 1,2 milhões. Além disso, ainda que a imigração da China tenha aumentado de forma modesta desde a abertura do país, muitos dos estrangeiros que imigram para lá são de herança étnica chinesa. Embora fique para trás no quesito diversidade cultural e imigração, a economia da China cresce desenfreadamente, num alto índice de 6,6% ao ano. Caso a China permaneça crescendo neste ritmo, em aproximadamente 2030 terá ultrapassado os EUA (índice de crescimento anual de 2,9%) e se tornará a maior economia do mundo. Sem entrar no mérito do “por quê” as pessoas imigram para os Estados Unidos e para a China, os dados nos sugerem que a experiência imigratória para a América é melhor explorada. Fica claro também que os Estados Unidos vêm bebendo, durante décadas, direto da fonte, a água limpa de diversidade cultural e atração de talentos que a China sequer experimentou. Importante lembrar que embora a economia americana tenha uma parte de seu desenvolvimento com base na diversidade cultural, é evidente que milhares de outros pontos devem ser levados em consideração na corrida econômica dessas nações, como a sustentabilidade das medidas econômicas, saúde, segurança, governo, liberdades individuais e alianças internacionais etc. Porém, o que chama atenção é o fato de uma economia em tamanha ascendência não ser um dos principais destinos dos imigrantes. Por quê? Hoje existe uma enorme demanda de trabalhadores rurais do país dispostos a preencher os empregos disponíveis de baixa qualificação. Como reflexo disso, a política de imigração restritiva da China, que visa manter a estabilidade social, desencoraja os imigrantes que não são de origem étnica chinesa e concede status permanente apenas a pessoas sem origens étnicas chineses se forem líderes empresariais ou científicos importantes, ou se tiverem feito “contribuições” importantes para a China. Tal fato prejudica o número de imigrantes em massa, mas em contraponto também permite a imigração qualificada de grandes talentos empresariais e científicos para o país. A impressão que fica é que ambas as nações correm para o crescimento ao seu modo, sendo a política imigratória um reflexo do ambiente e cultura do seu povo. Reflete, assim, nos Estados Unidos os valores correspondentes a um ambiente de diversidade e liberdade e na China uma cultura conservadora e centralizadora. Não é possível dizer quem está no caminho certo ou errado, até porque podem existir diversas possibilidades de caminhos certos e errados, mas uma coisa é fato: só existe um espaço no primeiro lugar da maior economia mundial e só saberá de fato quem é o vencedor desta corrida quem estiver aqui para ver.

Sobre o autor

Bernardo Brandão. Foto: Divulgação
Bernardo Brandão. Foto: Divulgação
Bernardo Brandão. Advogado e Empresário. Sócio de Mendonça e Machado Advogados. Co-fundador de Sahvana.com. Membro da Diretoria do Ibef Jovem e Ibef Academy.

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