A “urgência do agora” adoece mente e corpo, alerta psicóloga
Escrito por Rodrigo Gonçalves

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Especialista explica como a "urgência do agora" afeta o cotidiano das pessoas atualmente. Foto: Freepik
Especialista explica como a “urgência do agora” afeta o cotidiano das pessoas atualmente. Foto: Freepik
A sensação de estar sempre atrasado, mesmo quando se está em dia com as tarefas, virou rotina para muita gente. Segundo a psicóloga Luana Petersen, esse fenômeno tem nome: urgência do agora. É quando tudo parece urgente, mesmo o que não é — e isso tem custado caro para a saúde mental e física. No consultório, a profissional ouve diariamente pacientes que relatam a sensação de que “precisam dar conta de tudo o tempo todo”. Para ela, essa aceleração constante é alimentada por prazos apertados, redes sociais e pela cultura da produtividade sem pausas. “Vivemos em um ritmo que não respeita o nosso tempo biológico”, explica.

Corpo acelera, mas o cérebro interpreta como ameaça

Luana afirma que, sob a ótica da neurociência, o corpo não distingue prazos de vida ou morte de cobranças cotidianas. A amígdala e o hipocampo, áreas do cérebro ligadas à memória e à resposta ao estresse, reagem como se estivéssemos diante de um perigo real. O resultado? Aumento de cortisol, adrenalina, alteração na respiração e pressão arterial. Esse estado de alerta permanente pode causar sintomas como insônia, irritabilidade, lapsos de memória, palpitações e crises de ansiedade. “Quando essa condição se torna crônica, o corpo responde com sinais físicos e cognitivos claros de exaustão”, alerta.

Medo de descansar e ansiedade aos domingos

Outro ponto de atenção, segundo a psicóloga, é a culpa por descansar. O descanso, que deveria ser reparador, é visto por muitos como perda de tempo. Isso contribui para o chamado Sunday scaries — aquela ansiedade que surge aos domingos diante da perspectiva de mais uma semana corrida. Luana compara esse modo de vida a um carro em alta velocidade sem freio. “Vivemos no automático e deixamos de perceber nossas reais necessidades”, afirma.

Como desacelerar?

Entre as estratégias sugeridas pela especialista estão pausas intencionais e questionamentos conscientes, como: “O que me faz sentir que estou vivendo bem?”. A ideia é resgatar o controle sobre o tempo e o próprio ritmo. Ela também recomenda a Terapia Cognitivo-Comportamental, que tem eficácia comprovada no tratamento da ansiedade. No entanto, ressalta que buscar ajuda profissional é essencial quando os sintomas se tornam persistentes. “É possível viver em um mundo acelerado sem adoecer. Mas isso exige escolhas conscientes e respeito ao tempo do corpo”, conclui.

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