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Camisa do Brasil é a mais cara entre campeãs mundiais

Levantamento aponta que uniforme oficial do Brasil compromete mais de 20% da renda média mensal da população às vésperas da Copa

Foto: Reprodução/Nike

Vestir a camisa da Seleção Brasileira de Futebol nunca foi barato, mas o custo para o torcedor brasileiro atingiu um novo patamar às vésperas da Copa. Vendido por R$749,99 nas lojas oficiais, o uniforme utilizado pelos jogadores em campo se tornou o mais caro proporcionalmente à renda da população entre todas as seleções campeãs mundiais.

O dado faz parte de um levantamento divulgado pela BBC News Brasil, que comparou os preços das camisas oficiais das oito seleções já campeãs da Copa com a renda média mensal da população de cada país.

Apesar de não possuir o maior preço absoluto entre os uniformes analisados, a camisa da seleção brasileira é a que mais pesa no orçamento do consumidor.

Camisa compromete até 22% da renda média do brasileiro

Segundo o estudo, considerando dados do Banco Mundial, que apontam renda média mensal per capita de aproximadamente R$4.289 no Brasil, a compra da camisa representa cerca de 17,5% do rendimento mensal do brasileiro.

Quando a comparação utiliza os números da PNAD Contínua, divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, o impacto é ainda maior. Com renda média estimada em R$3.367, o uniforme compromete aproximadamente 22,2% do salário mensal.

O percentual coloca o Brasil muito acima das demais seleções campeãs mundiais analisadas no levantamento.

Países europeus têm impacto muito menor no orçamento

Entre as seleções europeias, os custos proporcionais são significativamente menores.

Na Alemanha, a camisa representa cerca de 3,7% da renda média mensal da população. Na Inglaterra, o índice é de 4%. Já na França, o impacto chega a 4,8%.

Na Itália, o uniforme corresponde a aproximadamente 5,2% da renda mensal, enquanto na Espanha o percentual fica em torno de 5,9%.

Mesmo entre os países sul-americanos, os números seguem abaixo dos registrados no Brasil.

Na Argentina, a compra da camisa oficial compromete cerca de 9,2% da renda média da população. No Uruguai, o índice é de aproximadamente 9,9%.

Camisa brasileira não é a mais cara em dólar

O levantamento também mostra que, quando convertido para dólar, o uniforme brasileiro não aparece como o mais caro entre as seleções campeãs mundiais.

A camisa da Seleção Brasileira está entre as mais baratas em valor absoluto, ficando atrás apenas da Argentina em alguns mercados internacionais.

Ainda assim, a diferença no poder de compra faz com que o peso econômico para o torcedor brasileiro seja muito superior ao observado em outros países.

A comparação considerou os chamados modelos “player version”, versões comercializadas pelas fabricantes como idênticas às utilizadas pelos atletas dentro de campo.

Nike destaca tecnologia do uniforme

A fornecedora oficial da Seleção Brasileira, Nike, afirma que a camisa conta com tecnologias voltadas para ventilação, leveza e controle térmico.

Segundo a empresa, o material utilizado permite maior circulação de ar e ajuda a manter o corpo mais fresco em situações de alta temperatura e esforço físico.

Até a divulgação do levantamento, porém, a fabricante não havia detalhado os fatores que justificam o preço praticado no mercado brasileiro.

Valor da camisa sobe acima da inflação há quase 30 anos

O crescimento no preço do uniforme da Seleção Brasileira ao longo das últimas décadas também chama atenção.

Em 1998, primeiro ano da parceria entre Nike e Confederação Brasileira de Futebol, a camisa oficial custava R$84.

Corrigido pela inflação oficial medida pelo IPCA, o valor corresponderia atualmente a aproximadamente R$438. Ainda assim, o preço atual supera essa projeção em mais de R$300.

Os maiores reajustes ocorreram entre as últimas edições da Copa.

Entre os Mundiais de 2014 e 2018, o aumento no preço da camisa foi de 36,7%.

Já entre a Copa da Rússia, em 2018, e a do Catar, em 2022, o valor saltou de R$449,90 para R$699,99, alta de 55,6%.

No mesmo período, a inflação acumulada foi de cerca de 29,1%, o que indicaria um preço aproximado de R$581 caso os reajustes acompanhassem apenas o custo de vida.

Para a Copa, disputada em Estados Unidos, Canadá e México, o uniforme passou a custar R$749,99, registrando novo aumento acima da inflação acumulada no ciclo.

Copa começa em junho

A Copa será realizada entre os meses de junho e julho em três países-sede: Estados Unidos, Canadá e México.

A estreia da Seleção Brasileira está marcada para o dia 13 de junho, contra Marrocos, em Nova Jersey.

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