Enquanto muitas famílias ainda tentam equilibrar as contas no fim do mês, o Espírito Santo fechou março com uma redução no número de pessoas inadimplentes. Cerca de 4,5 mil capixabas saíram do vermelho, e a taxa de inadimplência caiu pela quarta vez consecutiva no estado.
O índice, que mede o percentual de consumidores com dívidas em atraso, recuou para 33,5%, uma queda de 0,1 ponto percentual em relação ao mês anterior. O endividamento geral das famílias também diminuiu e chegou a 87,8%.
Os dados são do Connect Fecomércio-ES, com base na Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).
Segundo o coordenador do Observatório do Comércio do Connect Fecomércio-ES, André Spalenza, a melhora pode influenciar diretamente o consumo nos próximos meses.
“Quando a inadimplência recua, parte das famílias recupera capacidade de compra e volta a planejar gastos com mais segurança. Isso favorece especialmente períodos sazonais do comércio, como datas comemorativas”, afirmou.
O saldo positivo registrado em março foi puxado principalmente pelas famílias de maior renda. Aproximadamente 8,8 mil capixabas com renda acima de 10 salários mínimos, o equivalente a R$ 16.210, regularizaram dívidas no período. Ao mesmo tempo, cerca de 4,3 mil pessoas com renda de até 10 salários mínimos passaram a integrar a faixa de inadimplentes.
Apesar da melhora nos indicadores, as contas atrasadas continuam pesando no orçamento. Dados da Serasa Experian citados no levantamento mostram que o valor médio das dívidas por pessoa ficou em R$ 1.494,93.
Outro dado apontado pela pesquisa é o aumento do número de famílias que acreditam conseguir quitar todas as dívidas já no mês seguinte. Entre os consumidores com renda de até 10 salários mínimos, o percentual chegou a 15,4%. Nas famílias de maior renda, subiu para 37,5%.
Menos famílias endividadas
O levantamento também apontou queda no endividamento geral das famílias capixabas. Em março, o índice caiu de 89,3% para 87,8%, ficando abaixo dos 89,4% registrados no mesmo período de 2025.
Na prática, isso significa redução no número de famílias com compras parceladas, financiamentos, carnês ou outros compromissos financeiros em aberto.
Para Spalenza, a redução do endividamento pode abrir espaço para reorganização financeira e retomada do consumo.
“O endividamento menor reduz a rigidez financeira das famílias. Quando sobra mais renda no fim do mês, cresce a possibilidade de consumo, poupança e reorganização das despesas”, destacou.
Entre as famílias com renda de até 10 salários mínimos, o índice de endividamento caiu para 89,3%. Já entre aquelas com renda superior a esse patamar, recuou para 77,5%.
Cartão de crédito lidera dívidas
O cartão de crédito segue como a principal fonte de endividamento no Espírito Santo. Em março, ele estava presente em 92,6% das famílias com renda de até 10 salários mínimos que possuíam dívidas. Entre as famílias de maior renda, o percentual chegou a 98,1%.
Nas famílias com renda menor que R$ 16.210, houve aumento no uso do crédito pessoal, que chegou a 15,7%, além de crescimento dos carnês, com 8,3%, e do crédito consignado, com 8,1%.
Segundo o levantamento, o avanço dessas modalidades indica uma busca maior por recursos imediatos para cobrir despesas do dia a dia.
Entre as famílias de renda mais alta, o financiamento habitacional permaneceu como a segunda principal modalidade de crédito, mesmo com leve queda de 18,5% para 18,1%.
Já o crédito pessoal apresentou o maior crescimento nesse grupo, passando de 10,2% para 12,3%. O uso do cheque especial também aumentou, subindo de 1,9% para 3,2%. O financiamento de veículos ficou praticamente estável, variando de 9,6% para 9,7%.
A pesquisa também mostrou diferença no peso das dívidas sobre a renda familiar. Entre as famílias com renda de até R$ 16.210, o comprometimento médio da renda mensal chegou a 30,9%. Nas famílias de maior renda, caiu para 25%.
Para André Spalenza, o cenário ainda exige cautela.
“O estado mostra evolução consistente, mas ainda convive com níveis elevados de endividamento. O desafio agora é transformar essa melhora conjuntural em recuperação sustentável da saúde financeira das famílias”, afirmou.
A pesquisa completa pode ser consultada no portal da Fecomércio-ES.


