Mais de três anos após o assassinato de Ana Carolina Rocha Kurth, de 24 anos, a Justiça marcou a data do julgamento de Matheus Stein Pinheiro, acusado de matar a namorada com mais de 40 facadas dentro do apartamento onde o casal vivia, no Centro de Vitória.
A decisão foi proferida na tarde de quarta-feira (6). O júri popular está marcado para às 9h do dia 17 de setembro, no Fórum de Vitória, no Centro da capital.
Matheus vai responder por feminicídio, com as qualificadoras de meio cruel e recurso que dificultou a defesa da vítima. Ele está preso no Centro de Detenção Provisória de Viana 2 (CDPV2) desde 18 de maio de 2023.
Crime aconteceu em 2023
O crime aconteceu no dia 15 de maio de 2023. O corpo de Ana Carolina foi encontrado pelo sogro no apartamento onde ela morava com Matheus. Parte das facadas atingiu o rosto da vítima.
Segundo denúncia do Ministério Público do Espírito Santo (MPES), o relacionamento era marcado por brigas motivadas por ciúmes. A investigação apontou que uma suspeita de traição teria motivado o assassinato.
Na denúncia apresentada à Justiça, o MPES afirmou que Matheus, “movido por um sentimento de posse, assassinou a vítima com emprego de extrema crueldade”. O texto também relata que Ana Carolina foi surpreendida e tentou pedir socorro durante o ataque.
Ainda de acordo com o Ministério Público, após o crime, Matheus tomou banho, trocou de roupa, deixou o apartamento e seguiu de ônibus para Conceição da Barra, no Norte do Espírito Santo. Ele foi preso dois dias depois pela Polícia Civil.
Defesa apresentou laudos médicos
Ao longo do processo, a defesa apresentou laudos médicos sustentando que Matheus não poderia ser responsabilizado criminalmente por sofrer de doença mental.
Um dos documentos apontava uso múltiplo de drogas, dificuldade de controle do consumo, delírios de perseguição e alucinações. O laudo concluía que o acusado teria cometido o crime em razão de “delírios” e que seria “incapaz de diferenciar realidade e fantasia”.
Em outubro de 2024, porém, a juíza recusou o laudo. Na decisão, a magistrada apontou equívocos na avaliação, afirmando que o documento considerou apenas as alegações do próprio acusado para sustentar a dependência química.
Réu por feminicídio
Matheus se tornou réu por feminicídio após denúncia apresentada pelo MPES em junho de 2023. Na ocasião, a Justiça também converteu a prisão temporária em preventiva e determinou que o caso fosse levado a júri popular.
Além das qualificadoras de feminicídio, meio cruel e recurso que dificultou a defesa da vítima, o Ministério Público pediu indenização por danos materiais e morais aos familiares de Ana Carolina.


