Após ter seu nome citado em meio às investigações sobre o rombo financeiro da Apex Partners, a Rhino Securitizadora divulgou um comunicado para esclarecer qual é sua relação com a empresa capixaba e afirmar que suas operações seguem normalmente.
Na nota, a Rhino informa que atua exclusivamente como estruturadora e emissora dos títulos de securitização contratados pela Apex Partners, ressaltando que não integra o quadro societário da empresa, não participa de sua administração ou gestão e não toma parte em decisões de investimento nem na originação dos ativos.
A securitizadora também destacou que mantém segregação funcional, patrimonial e operacional em relação à Apex e que todas as operações foram estruturadas em conformidade com a Lei nº 14.430/2022 e as normas da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), com documentação formal. Segundo a empresa, a Rhino atua no mercado há mais de cinco anos, é autorizada e fiscalizada pela CVM e submete suas demonstrações financeiras a auditoria externa independente.
No comunicado, a companhia confirma ainda que é credora da Apex Partners e afirma que acompanha de perto os desdobramentos do caso. A empresa informou que adotará as medidas cabíveis para proteger os interesses dos titulares dos títulos emitidos e reforçou que as demais operações seguem normalmente, sem impacto para investidores, clientes e parceiros.
Por fim, a Rhino reafirmou seu compromisso com a transparência, a legalidade e a cooperação com a CVM, o Poder Judiciário, o Ministério Público e demais autoridades competentes, afirmando que manterá o mercado informado sobre novos desdobramentos relevantes.
O posicionamento foi divulgado após a revista Veja, por meio da coluna Radar, publicar que a Rhino aparece entre as empresas relacionadas ao caso. Segundo a reportagem, a securitizadora aprovou uma emissão de R$ 60 milhões para a Apex Investimentos e, posteriormente, houve uma mudança na diretoria de compliance da companhia, com a indicação de um nome ligado à Apex. A publicação também afirma que, dos R$ 985,6 milhões em passivos apontados nas investigações, R$ 452,1 milhões estariam relacionados à Rhino, valor que representa quase metade do montante total mencionado pela reportagem.
Veja a nota na íntegra:
Diante das notícias recentemente veiculadas envolvendo a Apex Partners, a Rhino Securitizadora esclarece que atua exclusivamente como estruturadora e emissora dos títulos de securitização contratados pela Apex Partners, não integrando seu quadro societário, sua administração ou sua gestão, e não participando de decisões de investimento ou da originação dos ativos subjacentes.
A companhia reforça mantem estrita segregação funcional, patrimonial e operacional em relação à Apex Partners. Todas as operações foram estruturadas em conformidade com a Lei nº 14.430/2022 e as normas da CVM, com documentação formal completa. A Rhino atua no mercado há mais de cinco anos, é autorizada e fiscalizada pela CVM e submete suas contas anualmente a auditoria externa independente.
Na condição de credora da Apex Partners, a Rhino acompanha rigorosamente os desdobramentos do caso e adotará as medidas cabíveis para proteger os interesses dos titulares dos títulos emitidos. As demais operações da companhia seguem normalmente, sem impacto nos compromissos assumidos com investidores, clientes e parceiros.
A Rhino Securitizadora reafirma seu compromisso irrestrito com a transparência, a legalidade e a cooperação plena com a CVM, o Poder Judiciário, o Ministério Público e demais autoridades competentes, e manterá o mercado tempestivamente informado sobre novos desdobramentos relevantes.
Rhino Securitizadora S.A.
Veja os principais desdobramentos da crise
Presidente afastado promete colaborar
Após ser afastado da presidência da Apex, Fernando Antonio Kulnig Cinelli se manifestou pela primeira vez sobre o caso. Em nota, afirmou estar comprometido em colaborar com as investigações e disse que o afastamento demonstra sua disposição para esclarecer os fatos com transparência.
Como a crise começou
Segundo a Apex, as inconsistências financeiras foram identificadas durante uma apuração interna conduzida pelos próprios sócios da companhia.
Diante das suspeitas, o Conselho de Administração decidiu afastar imediatamente Fernando Cinelli e o então diretor financeiro, Eduardo Siqueira, para garantir uma investigação independente. A empresa também contratou uma auditoria externa para dimensionar o tamanho das irregularidades e seus impactos financeiros.
Sócios acionam a Justiça
Após a descoberta das inconsistências, os sócios anunciaram uma ação de responsabilidade contra o ex-presidente.
A empresa pretende responsabilizar Fernando Cinelli por suposta gestão temerária e má-fé, além de pedir o bloqueio preventivo de seus bens. Também informou que poderá buscar responsabilização nas esferas cível e criminal caso as irregularidades sejam confirmadas.
Justiça concede proteção à empresa
Na sexta-feira (7), a Apex obteve uma tutela cautelar na Vara de Recuperação Judicial e Falência de Vitória. Ao analisar o pedido, o juiz Marcos Pereira Sanches reconheceu a existência de um passivo líquido consolidado estimado em R$ 975 milhões e entendeu que uma corrida de credores poderia inviabilizar as operações da empresa.
A decisão suspende temporariamente cobranças judiciais, execuções, penhoras, arrestos e bloqueios de bens das empresas abrangidas pela medida.
Segundo a Apex, a tutela cautelar não representa um pedido de recuperação judicial, mas uma medida para preservar a companhia enquanto a auditoria externa é concluída. A Justiça determinou que, em até 30 dias, a empresa informe se ingressará ou não com pedido de recuperação judicial.
BTG encerra parceria
Outro reflexo da crise foi o encerramento da parceria operacional entre a Apex Partners e o BTG Pactual na área de assessoria de investimentos.
A empresa informou, porém, que os clientes não terão prejuízo, já que os recursos permanecem custodiados no banco. Segundo a Apex, os assessores continuam atendendo normalmente enquanto uma nova parceria estratégica é definida.
Governo do ES nega exposição de recursos públicos
A repercussão levou o Governo do Espírito Santo a esclarecer que não há recursos públicos aplicados na Apex Partners.
Por meio da Secretaria da Fazenda (Sefaz), o Estado informou que os recursos do Tesouro permanecem aplicados apenas no Banestes, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal.
Já os recursos do Fundo Soberano do Espírito Santo (Funses) seguem sob gestão do Bandes e do Banestes, de acordo com critérios técnicos e regras de governança.
O que acontece agora
Enquanto a auditoria externa apura a extensão das inconsistências financeiras, a presidência da Apex passou a ser exercida interinamente por Marcelo Murad.
A empresa afirma que continuará colaborando com as investigações, promete divulgar os resultados da auditoria e diz que sua prioridade é preservar as operações, proteger clientes, investidores e parceiros, além de responsabilizar eventuais envolvidos caso as irregularidades sejam confirmadas.
A situação, no entanto, tornou-se ainda mais delicada após a demissão em massa de funcionários, indicando um forte processo de reestruturação para tentar garantir a continuidade da companhia em meio à maior crise de sua história.


