A pimenta-rosa produzida em São Mateus, no norte do Espírito Santo, ganhou ainda mais espaço na cadeia de produção da Natura. Depois de estrear na fragrância Essencial Atrai, lançada para celebrar os 30 anos da linha Essencial, o ingrediente passou, a partir deste ano, a ser utilizado em todos os produtos da empresa que levam pimenta-rosa na composição.
O fornecimento faz parte de um contrato firmado há dois anos entre a Natura e a fazenda da família Martin, responsável pela produção da especiaria no município. Antes de ampliar o uso da matéria-prima, a empresa passou cinco anos acompanhando todo o processo produtivo, rastreando a qualidade do cultivo, da colheita e do beneficiamento.
Segundo a empreendedora e responsável pela fazenda, Ana Paula Martin Machado, a qualidade da pimenta-rosa capixaba superou a de Madagascar, país que durante muitos anos foi considerado referência mundial na produção da especiaria e de onde a Natura importava o ingrediente.
“Hoje a qualidade da nossa pimenta é melhor do que a de Madagascar, que era considerada a melhor do mundo. Antes a Natura comprava deles, agora compra da nossa produção”, afirmou.

A história da pimenta-rosa produzida em São Mateus também está ligada à própria família. De acordo com Ana Paula, o potencial comercial do fruto foi descoberto na fazenda pelo seu avô, Dário Martin, e pelo tio, Antônio Carlos Martin. Embora a planta já fosse conhecida pelos povos indígenas por suas propriedades medicinais e aparecesse em registros históricos do Brasil, seus frutos não eram aproveitados nem processados comercialmente no país.
Hoje, todo o processo de produção segue rígidos padrões de qualidade. O cultivo é feito sem o uso de defensivos agrícolas ou herbicidas. A colheita é semimecanizada e, após a retirada das plantas, os frutos permanecem de quatro a cinco dias em galpão ventilado antes de passarem por uma máquina desenvolvida pela própria fazenda para a separação.
Em seguida, a pimenta-rosa é seca lentamente ao sol, processo que preserva as características do fruto e da casca. Depois, passa pelas etapas de expurgo, embalagem a vácuo e envio para a Natura.
Todo o processo é rastreado, desde o plantio até a entrega, e a propriedade passa por auditorias anuais da empresa, que avalia critérios de qualidade, armazenamento e conformidade trabalhista.
A ampliação do uso da pimenta-rosa capixaba representa um novo reconhecimento da produção agrícola do Espírito Santo e fortalece a presença do Estado na cadeia de fornecimento de ingredientes utilizados pela indústria nacional de cosméticos.


