Ex-prefeito do ES tem cargo de “presidente” na carteira de trabalho

Ex-prefeito de Cachoeiro descobriu cargo de “presidente da República” na carteira digital e levou caso na brincadeira

Escrito por Redação

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O ex-prefeito de Cachoeiro de Itapemirim Victor Coelho descobriu um detalhe inusitado na própria Carteira de Trabalho Digital: o cargo registrado como “presidente da República”. O erro apareceu enquanto ele ainda comandava a prefeitura e, mesmo após pedido de correção ao setor de recursos humanos do município, segue sem alteração até hoje.

Victor Coelho também foi secretário de Estado do Turismo do Espírito Santo (Setur) entre 2025 e 2026. Atualmente, ele já não ocupa mais o cargo.

Segundo a assessoria do ex-prefeito, a situação nunca gerou qualquer problema administrativo ou trabalhista e acabou rendendo apenas boas risadas nos bastidores.

O caso veio à tona após repercussão nacional envolvendo uma técnica de enfermagem de Jaboatão dos Guararapes, em Pernambuco, que encontrou exatamente o mesmo cargo registrado na Carteira de Trabalho Digital. A informação foi divulgada pelo portal G1 Pernambuco.

Caso semelhante repercutiu em Pernambuco

A técnica de enfermagem Aldenize Ferreira da Silva descobriu que consta há mais de 24 anos como “presidente da República” em sua Carteira de Trabalho e Previdência Social Digital.

O cargo está vinculado à Prefeitura de Jaboatão dos Guararapes, onde ela trabalhou como merendeira em 2002. O registro permaneceu aberto no sistema com salário inicial de R$ 201,60.

Desempregada, Aldenize contou que procurava vagas em agências de trabalho, mas não conseguia retorno. Ela passou a acreditar que o erro no cadastro pode ter influenciado na dificuldade para conseguir emprego.

Segundo relato feito ao G1 Pernambuco, a descoberta aconteceu durante um atendimento em uma agência do trabalhador. Ao consultar o CPF dela, o atendente estranhou o registro e questionou o fato de ela procurar uma vaga mesmo aparecendo no sistema há mais de 24 anos vinculada à prefeitura com o cargo de “presidente da República”.

A reportagem do Sim Notícias entrou em contato com o Ministério do Trabalho e Emprego, mas, até as 18h desta quarta-feira (20), não houve resposta.

O que diz o Ministério do Trabalho

Após a repercussão dos casos, o Ministério do Trabalho e Emprego explicou que esse tipo de inconsistência acontece quando empregadores enviam informações erradas sobre cargos e funções no sistema.

Segundo o ministério, durante muitos anos os vínculos trabalhistas foram informados ao INSS por meio da Guia de Recolhimento do FGTS e de Informações à Previdência Social, conhecida como GFIP. Nesse período, algumas empresas registraram códigos incorretos da Classificação Brasileira de Ocupações (CBO), incluindo o referente ao cargo de presidente da República.

O órgão informou ainda que, com a criação da Carteira de Trabalho Digital em 2019, os dados antigos passaram a ser importados automaticamente do Cadastro Nacional de Informações Sociais, o CNIS. Por isso, informações cadastradas incorretamente pelos empregadores acabaram reproduzidas no sistema digital.

De acordo com o Ministério do Trabalho, atualmente o eSocial utiliza o cargo informado diretamente pela empresa, o que reduz a possibilidade desse tipo de erro.

O ministério também afirmou que não há prejuízo previdenciário ou impacto na aposentadoria do trabalhador por causa da inconsistência, apesar da distorção no histórico profissional.

A responsabilidade pelas informações enviadas é do empregador, segundo o órgão. Em casos de erro, a regularização pode ser feita pela Central 135 ou pelo portal Meu INSS, por meio do serviço “Atualização de Vínculos e Remunerações”.

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