A crise na Apex Partners ganhou um novo desdobramento. Após revelar inconsistências financeiras que podem chegar a R$ 975 milhões e afastar seu fundador e presidente, Fernando Antonio Kulnig Cinelli, a empresa se viu em meio a rumores de demissão em massa. A empresa, no entanto, negou a informação de que houve qualquer tipo de desligamento dos colaboradores.
“A companhia segue atuando no mercado e se prepara para uma profunda reestruturação interna que permita atravessar de forma segura e responsável este período, respeitando colaboradores, investidores, parceiros e o mercado em geral. Nenhuma demissão foi realizada desde que os fatos foram descobertos. A Apex Partners S/A está dedicada integralmente em esclarecer as circunstâncias identificadas e aprimorar sua governança”, disse a empresa por nota.
A empresa, que administra cerca de R$ 18,88 bilhões em ativos e atua em cinco estados brasileiros e em Portugal, enfrenta uma sequência de medidas para tentar preservar suas operações. Além do afastamento da alta cúpula, os sócios acionaram a Justiça contra o ex-presidente, contrataram uma auditoria independente e conseguiram uma tutela cautelar para evitar uma corrida de credores.
Leia a nota na íntegra:
A Apex Partners S/A vem agindo de forma transparente e rigorosa para superar este momento desafiador. A própria empresa abriu uma auditoria interna, constatou as inconsistências financeiras e realizou o imediato afastamento de Fernando Kulnig Cinelli do cargo. Auditoria externa e independente está em fase final de contratação, assim como as medidas para responsabilizações judiciais de seu ex-presidente.
A companhia segue atuando no mercado e se prepara para uma profunda reestruturação interna que permita atravessar de forma segura e responsável este período, respeitando colaboradores, investidores, parceiros e o mercado em geral. Nenhuma demissão foi realizada desde que os fatos foram descobertos. A Apex Partners S/A está dedicada integralmente em esclarecer as circunstâncias identificadas e aprimorar sua governança.
Números que circulam sobre o tamanho do passivo da empresa não passam de especulações. Eles serão verdadeiramente identificados após a auditoria externa. Já os números que aparecem na ação judicial protocolada na última sexta-feira (7) não representam obrigações vencidas, nem obrigações imediatas – mas sim de longo prazo.
Seguimos com nosso compromisso de conduzir o caso com a transparência e a responsabilidade que o momento exige.
Veja os principais desdobramentos da crise
Presidente afastado promete colaborar
Após ser afastado da presidência da Apex, Fernando Antonio Kulnig Cinelli se manifestou pela primeira vez sobre o caso. Em nota, afirmou estar comprometido em colaborar com as investigações e disse que o afastamento demonstra sua disposição para esclarecer os fatos com transparência.
Como a crise começou
Segundo a Apex, as inconsistências financeiras foram identificadas durante uma apuração interna conduzida pelos próprios sócios da companhia.
Diante das suspeitas, o Conselho de Administração decidiu afastar imediatamente Fernando Cinelli e o então diretor financeiro, Eduardo Siqueira, para garantir uma investigação independente. A empresa também contratou uma auditoria externa para dimensionar o tamanho das irregularidades e seus impactos financeiros.
Sócios acionam a Justiça
Após a descoberta das inconsistências, os sócios anunciaram uma ação de responsabilidade contra o ex-presidente.
A empresa pretende responsabilizar Fernando Cinelli por suposta gestão temerária e má-fé, além de pedir o bloqueio preventivo de seus bens. Também informou que poderá buscar responsabilização nas esferas cível e criminal caso as irregularidades sejam confirmadas.
Justiça concede proteção à empresa
Na sexta-feira (7), a Apex obteve uma tutela cautelar na Vara de Recuperação Judicial e Falência de Vitória. Ao analisar o pedido, o juiz Marcos Pereira Sanches reconheceu a existência de um passivo líquido consolidado estimado em R$ 975 milhões e entendeu que uma corrida de credores poderia inviabilizar as operações da empresa.
A decisão suspende temporariamente cobranças judiciais, execuções, penhoras, arrestos e bloqueios de bens das empresas abrangidas pela medida.
Segundo a Apex, a tutela cautelar não representa um pedido de recuperação judicial, mas uma medida para preservar a companhia enquanto a auditoria externa é concluída. A Justiça determinou que, em até 30 dias, a empresa informe se ingressará ou não com pedido de recuperação judicial.
BTG encerra parceria
Outro reflexo da crise foi o encerramento da parceria operacional entre a Apex Partners e o BTG Pactual na área de assessoria de investimentos.
A empresa informou, porém, que os clientes não terão prejuízo, já que os recursos permanecem custodiados no banco. Segundo a Apex, os assessores continuam atendendo normalmente enquanto uma nova parceria estratégica é definida.
Governo do ES nega exposição de recursos públicos
A repercussão levou o Governo do Espírito Santo a esclarecer que não há recursos públicos aplicados na Apex Partners.
Por meio da Secretaria da Fazenda (Sefaz), o Estado informou que os recursos do Tesouro permanecem aplicados apenas no Banestes, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal.
Já os recursos do Fundo Soberano do Espírito Santo (Funses) seguem sob gestão do Bandes e do Banestes, de acordo com critérios técnicos e regras de governança.
O que acontece agora
Enquanto a auditoria externa apura a extensão das inconsistências financeiras, a presidência da Apex passou a ser exercida interinamente por Marcelo Murad.
A empresa afirma que continuará colaborando com as investigações, promete divulgar os resultados da auditoria e diz que sua prioridade é preservar as operações, proteger clientes, investidores e parceiros, além de responsabilizar eventuais envolvidos caso as irregularidades sejam confirmadas.
A situação, no entanto, tornou-se ainda mais delicada após a demissão em massa de funcionários, indicando um forte processo de reestruturação para tentar garantir a continuidade da companhia em meio à maior crise de sua história.


