Se você navega pelo TikTok, provavelmente já viu vídeos de smoothies verdes, pudins de chia e tigelas coloridas com legumes e grãos integrais. Essa nova onda, batizada de fibermaxxing ou fibremaxxing, incentiva o consumo máximo possível de fibras alimentares no dia a dia. Embora o nome sugira exagero, especialistas explicam que, na prática, a tendência pode até ser positiva pois evidencia um problema real: o consumo insuficiente de fibras pela população brasileira.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), adultos devem ingerir ao menos 25 g de fibras por dia. No Brasil, essa meta está longe de ser alcançada. Dados da “Pesquisa de Orçamentos Familiares 2017–2018” (IBGE) mostram que a ingestão média diária caiu de 20,5 g (em 2008–2009) para 15,6 g — uma redução preocupante. De acordo com o médico Danilo Almeida, pós-graduado em Nutrologia pela ABRAN, o baixo consumo de fibras está relacionado a um maior risco de constipação, doenças crônicas, câncer colorretal e alterações na microbiota intestinal. “O consumo adequado de fibras é parte essencial de uma alimentação saudável e, associado ao consumo ideal de água, ajuda no funcionamento do intestino. Infelizmente, o brasileiro ainda consome poucas fibras nas refeições e bebe menos água do que o necessário”, afirma o médico.
Diante deste quadro, o Dr. Danilo Almeida, avalia que a popularidade do fibermaxxing pode ser positiva, mas demanda atenção. “Quando o assunto entra nas redes sociais, mais gente começa a pensar sobre o que coloca no prato. As fibras são fundamentais não só para o intestino, mas para o controle do açúcar no sangue, a redução do colesterol, a saúde cardiovascular e até a prevenção de alguns tipos de câncer”, afirma.


