ESCREVENDO – Aposentado transforma casa em cinema e minimuseu em Cariacica
Escrito por Danielli Saquetto

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Depois de enfrentar um quadro de depressão, o aposentado Amilton Sebastião Simmer, de 66 anos, decidiu transformar a própria casa, na avenida Expedito Garcia, em Cariacica, em um cinema com 18 poltronas reclináveis e um museu com peças raras. Ele afirma que, desde que construiu o espaço, há 15 anos, deixou de tomar medicação. “O meu remédio foi esse espaço aqui”, resume.

A relação com o cinema começou na infância, em Paraju, distrito de Domingos Martins. Aos cinco anos, ele assistiu a uma exibição improvisada por um imigrante alemão que usou um projetor de oito milímetros e um lençol como tela dentro da escola. “Quando ele ligou o projetor e eu ouvi aquele barulhinho, veio dentro de mim que era isso que eu queria”, lembra. “Não larguei mais o cinema.”

Do jardim ao minimuseu

Antes da construção, o local onde hoje funciona o museu era um jardim. Amilton conta que decidiu mudar o espaço durante um período de falta de água. “Eu pensei que não podia ficar jogando água fora com tanta gente com dificuldade. Resolvi construir aqui a coisa que eu mais gosto, que é o cinema.”

Ele trabalhou por anos com enrolamento de motor elétrico e não contou com engenheiro na obra. Orientou o pedreiro sobre as medidas e definiu os detalhes. O resultado foi uma sala com 18 poltronas reclináveis. “Se fossem cadeiras comuns, caberia mais gente, mas eu pensei no conforto”, afirma.

O espaço tem ainda uma cabine de projeção inspirada nos antigos cinemas de rua. “Eu via aquele facho de luz lá em cima e queria saber qual era a mágica. Não pude entrar na cabine naquela época. Hoje eu tenho uma dentro de casa.”

Acervo reúne peças do século XIX

Com o cinema pronto, ele ampliou a ideia e criou um museu. O acervo inclui jukebox da década de 1950, projetores antigos, brinquedos do século XIX e autômatos franceses de 1880.

Entre os destaques está uma orquestron de 1885. “É uma máquina do tamanho de um guarda-roupa que toca sozinha, sem energia. Funciona com um contrapeso de 70 quilos. É a única na América Latina”, diz.

Há também um motoscópio, equipamento considerado pré-cinema, em que as imagens passam em sequência ao girar uma manivela.

Visitas agendadas

O local passou a receber mais interessados depois que um vídeo publicado pelo criador de conteúdo David Gaba ultrapassou 70 mil visualizações. Desde então, as visitas são feitas mediante agendamento e ocorrem diariamente após as 15 horas.

Não há cobrança de ingresso. “É sem fins lucrativos, tudo pela cultura”, afirma. Ele mantém uma urna para contribuições voluntárias destinadas a despesas como energia e limpeza. “Não é obrigado a dar nada.”

As sessões são realizadas para grupos a partir de dez pessoas, que escolhem previamente o gênero do filme entre as opções disponíveis. “Ali é cinema, não é televisão.”

Amilton mora no imóvel com a esposa e diz que o cinema faz parte da própria casa. “Tudo que você vê aqui é a decoração da minha casa. Quando estou aqui dentro, parece que estou no céu.”

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