O atual procurador-geral de Justiça, Francisco Martínez Berdeal, foi o candidato mais votado pelos colegas na consulta direta à categoria realizada nesta sexta-feira (6), como primeira etapa do processo de escolha do homem que vai chefiar o Ministério Público do Espírito Santo (MPES) pelo próximo biênio.
Candidato à reeleição, Berdeal alcançou 168 votos dos pares.
Seu único desafiante, o promotor de Justiça Danilo Raposo Lirio, ficou em segundo lugar na preferência dos colegas. O candidato de oposição recebeu 116 votos.
Ainda houve 218 votos em branco e quatro nulos. Dos 257 membros aptos a votar, entre promotores e procuradores de Justiça, 253 participaram da votação.
Logo após a proclamação oficial do resultado, a “lista tríplice” (na verdade, neste caso, uma “lista dúplice”) foi entregue ao governador Renato Casagrande (PSB), a quem cabe a palavra final e a nomeação.
O chefe do Executivo estadual terá 15 dias, a contar do recebimento oficial da lista, para escolher e nomear aquele que comandará o MPES de maio deste ano a maio de 2028.
A votação foi realizada nesta sexta-feira, das 9h às 17h, remotamente, por meio eletrônico.
Primeira análise
Pelas regras do processo, cada membro do MPES pôde dar até dois votos. Mas a apuração oficial revela claramente que pouquíssimos fizeram isso.
Matematicamente, é possível afirmar que apenas 31 votaram nos dois candidatos.
Portanto, houve uma nítida divisão: a grande maioria dos que votaram em Berdeal, votaram apenas nele. O mesmo vale para os eleitores de Danilo.
Isso nos permite concluir que as “urnas” do MPES de fato refletiram o tamanho de cada um nessa disputa e, acima de tudo, o atual tamanho do apoio interno e o da insatisfação interna com relação a Berdeal.
O grau de adesão, hoje, predomina sobre o de insatisfação.
Só a título de exercício matemático, se pudéssemos traduzir os resultados em “votos válidos”, como em eleições gerais, organizadas pela Justiça Eleitoral, os números seriam os seguintes:
- Berdeal (situação): 59,15%
- Danilo (oposição): 40,85%
Esse é o tamanho político com que o atual chefe do MPES sai da primeira fase do processo e chega com seu nome, novamente, à mesa do governador.
O “alto número” de votos em branco: uma explicação necessária
Muitos “estranharam” o número de votos em branco na eleição do MPES. De fato, à primeira vista, parece bastante alto. Mas na verdade não é tão alto quando se entendem as regras da votação e, principalmente, o contexto político da disputa. Acompanhe:
PASSO 1
253 eleitores efetivamente votaram.
Cada um poderia dar até dois votos. Isso perfaz um total de 506 votos possíveis, certo?
PASSO 2
Somando os votos de Berdeal (168) com os de Danilo (116), temos um total de 284 “votos válidos” (soma dos votos obtidos pelos dois candidatos).
PASSO 3
Assim, temos:
284 “votos válidos” + 218 brancos + 4 nulos
= precisamente, os 506 votos possíveis.
A conclusão matemática (com uma importante faceta política) é aquela destacada acima: pouquíssimos eleitores votaram em Berdeal e também em Danilo.
Precisamente, só 31 membros fizeram isso, pouco mais de 10% dos eleitores. É a diferença entre o total de votantes e o total de votos válidos (284 – 253 = 31).