“Eu não sou Chico Xavier.” A resposta foi dada por Afonso Belenda, subsecretário da Defesa Civil de Vila Velha, ao ser questionado por uma repórter, durante entrevista concedida à TV Sim/SBT na quarta-feira (15), sobre a possibilidade de o tanque de combustível tombado em São Torquato deslizar e atingir a comunidade. Segundo o órgão, a probabilidade de a estrutura se movimentar é baixa, mas não há como afirmar, com certeza absoluta, que um acidente nunca acontecerá.
A declaração ocorreu durante uma vistoria realizada no antigo parque de tanques localizado no bairro, que voltou a chamar a atenção após imagens de um dos reservatórios inclinado repercutirem entre os moradores. A estrutura faz parte de uma área de aproximadamente 65 mil metros quadrados, desativada desde 2004. Em setembro de 2022, a concessão do complexo portuário passou para a Vports. Segundo a Defesa Civil, os tanques estão vazios há mais de 20 anos.
Enquanto o órgão afirma que o risco de deslocamento é reduzido, moradores dizem conviver há anos com problemas provocados pelo abandono do terreno. Eles relatam mato alto, presença de animais peçonhentos, invasões e insegurança.
“Tá tudo caindo, mais com essa ventania também. E fora os bichos, as cobrinhas desce. Tem um monte de bichinho ali que eu esqueço até o nome deles e é muito preocupante”, contou uma moradora.
Outro morador afirma que a falta de manutenção também favorece a ação de criminosos. “Aqui é morte, é fuga de bandido. Já entraram na minha casa pelos fundos. Eu acho um verdadeiro descaso com a população.”
Segundo os relatos, a situação se agravou depois que um dos tanques apareceu inclinado. A preocupação é que, por estar próximo de uma ladeira, a estrutura possa deslizar em direção às residências.
“Se isso vier a tombar, vai fazer um verdadeiro estrago aqui na comunidade”, afirmou um morador.
Retirada de aço comprometeu estrutura
Durante a vistoria, a Defesa Civil explicou que a inclinação do tanque foi provocada pela retirada irregular de partes da estrutura. Os reservatórios são feitos de aço carbono e passaram a ser alvo de furtos para revenda como sucata.
Segundo Afonso Belenda, os invasores retiram pequenas partes da base até comprometer a sustentação do tanque. “O fato gerador preponderante para isso acontecer é a invasão do local e a subtração dessa estrutura por pequenas partes. As pessoas fizeram o corte, vão tirando pequenos pedaços, tiraram toda a base e continuam retirando. Em determinado momento, isso desestrutura e colapsa.”
“Não tenho pacto com Chico Xavier”
Ao ser questionado pela repórter sobre qual era a chance de o tanque de combustível tombado deslizar e atingir a comunidade, e solicitado a explicar à população qual era o risco de isso acontecer, o representante da Defesa Civil afirmou que não é possível fazer previsões absolutas sobre o comportamento da estrutura.
“Bom, eu não tenho pacto com Chico Xavier, mas a gente tem que se basear em atividades e cálculos. Uma estrutura de aço que pesa X, o que poderia causar algum movimento seria o vento. É muito pouco provável essa intensidade de vento nesse local para acontecer”, pontuou Belenda.
Apesar de considerar remota a possibilidade de deslocamento, a Defesa Civil informou que medidas preventivas já começaram a ser adotadas.
“Mesmo com essa remota possibilidade, está sendo feito todo o trabalho, não só da Prefeitura, por meio da Defesa Civil, como da empresa, para fazer o escoramento imediato e a contratação de empresas que possam fazer a demolição controlada”, esclareceu.
Empresa foi notificada
Segundo a Prefeitura de Vila Velha, a empresa responsável foi notificada e deverá realizar os reparos necessários tanto no tanque quanto no terreno dentro do prazo estabelecido pelo município.
Em nota, a Vports informou que já iniciou o plano de escoramento da estrutura e que a área permanece isolada. A orientação é para que a população não se aproxime do local.


