Mais um enredo divulgado! A escola de samba Chegou o que Faltava apresentou a história que vai levar para o Carnaval 2027, apostando em uma narrativa poética e potente sobre memória, resistência e reconstrução a partir da história de Itaúnas, no norte do Espírito Santo.
Assinado pelos carnavalescos Roberto Monteiro e Leonardo Antan, o enredo “Pedras que cantam” mergulha na trajetória da antiga vila que ficou conhecida nacionalmente após ser soterrada pelas dunas ao longo de quase duas décadas. O avanço da areia obrigou moradores a deixarem suas casas e reconstruírem a comunidade em um novo local, marcando a região com uma trajetória de deslocamento e reinvenção.
A escola transforma esse episódio em uma leitura simbólica e poética, incorporando elementos de misticismo e crenças populares para reinterpretar o fenômeno ambiental. A proposta é ir além do fato histórico, criando uma narrativa que dialoga com memória, identidade e resistência.
A narrativa também propõe uma reflexão sobre a relação entre homem e natureza, ao tratar o soterramento como consequência de um desequilíbrio ambiental. No texto de apresentação, a Chegou o Que Faltava reflete: “Em Itaúnas, somos lembrados que a resposta à miséria sempre será a festa, que a refundação dos laços é grito contra a barbárie desenfreada. Lembramos que refundar, recriar e reviver é sempre necessário, a cada diáspora imposta. Mas no dia que a poesia se arrebenta, que enfim, as pedras vão cantar…“
O título “Pedras que cantam” faz referência à canção de Fausto Nilo e Dominguinhos, eternizada na voz de Fagner, e reforça o tom sensível do enredo, que busca dar voz às histórias e aos silêncios deixados pelo tempo.


