Não há dúvidas: as mulheres são uma potência no cooperativismo. Seja na ciência, no campo, nas escolas e em muitos outros segmentos do modelo de negócio, elas mostram que têm capacidade e garra de sobra para gerar resultados, tomar decisões qualificadas e assumir o protagonismo quando encontram oportunidades.
No último Encontro Brasileiro de Pesquisadores do Cooperativismo (EBPC), por exemplo, mais da metade (61%) dos artigos científicos selecionados foram produzidos por mulheres. Isso significa que elas lideram as pesquisas sobre o movimento cooperativista.
No Espírito Santo, o cenário também é promissor: 60,8% dos colaboradores e 34,5% dos cooperados (pessoas físicas) das cooperativas do estado são mulheres, de acordo com a última edição do Anuário do Cooperativismo Capixaba. Elas ocupam a maioria dos postos de trabalho nas cooperativas de consumo, crédito, saúde e transporte, sendo responsáveis por realizar atividades essenciais para o funcionamento e a evolução desses negócios.
Os efeitos não são positivos apenas para as cooperativas, mas principalmente para a sociedade. A participação feminina nessas organizações está associada à ampliação da diversidade de ideias e perspectivas, maior engajamento comunitário e social e incentivo ao desenvolvimento sustentável.
Apesar de serem a maioria entre os colaboradores e mais de um terço dos cooperados, as mulheres ainda podem estar mais presentes nos cargos de liderança das cooperativas capixabas. Hoje, elas ocupam 33,7% dos cargos de direção e gerência, 21,9% das vagas nos conselhos Fiscais e 14,7% das cadeiras nos conselhos de Administração.
Esse não é um desafio exclusivo do modelo de negócio, visto que apenas 17% das empresas são lideradas por mulheres no Brasil, de acordo com a Pesquisa Panorama Mulheres 2025, desenvolvida pela Talenses Group.
Esses números refletem barreiras culturais que precisamos vencer. Não é por falta de vontade que poucas mulheres lideram, mas por uma série de fatores que tornam a jornada delas mais difícil: sobrecarga de responsabilidades, falta de oportunidades para se capacitar, necessidade de conciliar a carreira com a maternidade, vieses inconscientes em processos de promoção, entre outras questões.
Consciente desses desequilíbrios, o cooperativismo investe em ações voltadas para o público feminino, como capacitações, ações de saúde e bem-estar, criação de núcleos e comitês femininos, políticas internas de diversidade, linhas de crédito específicas para mulheres e eventos onde elas podem debater temas de seu interesse e trocar experiências.
Todas essas iniciativas mostram o compromisso do cooperativismo em ampliar a participação feminina, oferecendo formação, acolhimento e espaço para que mais mulheres ocupem posições estratégicas e fortaleçam as cooperativas. Afinal, elas são uma potência no movimento: quando têm oportunidades, impulsionam resultados, inovam e ajudam a construir um movimento mais forte e humano.





