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Inflação: entre mitos e realidade – o que realmente faz os preços subirem?
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O IBEF Academy é o programa de auto formação do IBEF-ES, com foco em gestão, economia, finanças e filosofia. Seu objetivo é contribuir para a evolução do ambiente de negócios no Espírito Santo, qualificando profissionais e fortalecendo o ecossistema econômico e financeiro do estado.
Como políticas monetárias e fiscais impactam a inflação no Brasil. Foto: Freepik
Como políticas monetárias e fiscais impactam a inflação no Brasil. Foto: Freepik
Em entrevista recente, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sugeriu que os consumidores brasileiros evitem adquirir produtos com preços elevados, argumentando que essa postura poderia forçar a redução dos preços pelos fornecedores. Embora a interação entre oferta e demanda influencie os preços de mercado, atribuir exclusivamente a esses fatores a responsabilidade pela inflação é uma simplificação que desconsidera causas mais profundas, especialmente no contexto econômico brasileiro. Ludwig von Mises, em sua obra *As Seis Lições*, aborda a inflação de maneira incisiva, destacando que sua raiz está na expansão descontrolada da oferta monetária. Mises argumenta que a inflação não é meramente um aumento generalizado dos preços, mas sim um processo causado pela emissão excessiva de moeda pelo governo ou autoridades monetárias. Ele enfatiza que “a inflação é um aumento na quantidade de moeda e de substitutos monetários; o resultado disso é a tendência para a alta dos preços.” No caso brasileiro, a inflação tem sido historicamente influenciada por políticas fiscais e monetárias expansionistas. Dados recentes indicam que, apesar de esforços para conter a inflação, como o aumento da taxa Selic para 13,25% pelo Banco Central, a inflação acumulada permanece acima da meta oficial de 4,5%. Essa persistência inflacionária sugere que fatores estruturais, como gastos públicos elevados e déficits fiscais, continuam a exercer pressão sobre os preços. Outro fator determinante para a inflação brasileira é a depreciação cambial. Em 2024, o real sofreu uma desvalorização de 21,82%, atingindo 6,18 reais por dólar, tornando-se a moeda emergente com pior desempenho naquele ano. Essa depreciação encarece produtos importados e insumos, refletindo-se nos preços ao consumidor. Portanto, embora a recomendação presidencial para que os consumidores evitem produtos caros possa ter um efeito limitado e temporário sobre os preços de determinados itens, ela não aborda as causas estruturais da inflação. Medidas efetivas de combate à inflação requerem políticas fiscais responsáveis, controle rigoroso da expansão monetária e reformas estruturais que promovam a eficiência econômica e a confiança dos investidores. Conforme elucidado por Mises, a inflação é um fenômeno monetário resultante de políticas que aumentam a quantidade de moeda em circulação sem correspondência na produção de bens e serviços. Para enfrentar a inflação de maneira eficaz, é imperativo que o Brasil adote uma abordagem abrangente que inclua disciplina fiscal, estabilidade monetária e fortalecimento institucional, indo além de soluções simplistas que não atacam as raízes do problema.
Luana Nandorf é Gerente de Agência Sicredi, Proprietária do Café Nandorf e Presidente do IBEF Academy. Este texto expressa a opinião do autor e não traduz, necessariamente, a opinião do Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças do Espírito Santo (IBEF-ES).

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