Caso Wallace: desvio que motivou crime pode chegar a R$ 9 mi
Escrito por Redação

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A Polícia Civil do Espírito Santo concluiu as investigações sobre o assassinato de Wallace Borges Lovato, morto a tiros no dia 9 de junho de 2025, na Praia da Costa, em Vila Velha, quando saía da empresa da qual era proprietário. Segundo a polícia, o crime foi motivado por um desvio milionário, na Globalsys, companhia fundada por Wallace.

Os valores desviados podem chegar a R$ 9 milhões, segundo uma auditoria externa contratada pela vítima, que já desconfiava de fraude nas finanças da companhia. O diretor financeiro da empresa, Bruno Valadares, é apontado como mandante do homicídio de Wallace. Ele teria encomendado a morte do empresário por temer ser descoberto.

Veículo clonado levou à identificação dos suspeitos

O carro usado no crime, um Fiat Pulse cinza clonado, foi encontrado abandonado próximo à alça da Terceira Ponte, em Vitória após o crime. A perícia constatou que a placa do carro só foi utilizada no dia do homicídio e que o veículo veio de Minas Gerais para o Espírito Santo no dia 30 de maio, com outra identificação.

Imagens do cerco eletrônico e impressões digitais encontradas no carro ajudaram a identificar Arthur Laudevino Candeias Luppi como um dos envolvidos, que seria o motorista do veículo no crime. Ele fugiu para Minas Gerais após o homicídio mas foi preso no dia 17 de junho após cerco policial.

Prisões e confissões

Arthur Laudevino confessou que dirigia o carro no dia do crime e apontou Bruno Nunes como intermediário, além de indicar Arthur Neves, preso na Paraíba, como executor, e Eferson como parte do planejamento. Eferson Ferreira Alves se apresentou à polícia, no dia 23 de junho, confessou participação e foi preso.

Foto: Arthur Laudevino Candeas Luppi; Arthur Neves de Barros; Eferson Ferreira Alves; Bruno Valadares.

Bruno Nunes continua foragido.

Bruno Nunes – ainda está foragido | Foto: Divulgação PCES

Diretor financeiro viajou para Disney, comprou carros e terrenos

Segundo a polícia, funcionários da empresa de Wallace foram ouvidos diversas vezes sobre o caso, mas até então, nenhum indício de relação com o crime havia sido descoberto. Dias depois após o crime, o advogado de Bruno Valadares procurou a delegacia e afirmou que seu cliente havia feito pagamentos a Bruno Nunes a pedido de Wallace, mas a investigação não encontrou provas dessa ligação. Porém, descobriu que na verdade, a única pessoa que tinha ligação com o intermediário do crime era Bruno Valadares, diretor financeiro da Globalsys.
Após a constatação, Bruno Valadares foi preso em casa com dezenas de joias, além de dois carros de luxo. Primeiro ele negou o caso, mas em um segundo depoimento, ele confessou ter desviado dinheiro da Globalsys — cerca de R$ 4 milhões, segundo ele; mais de R$ 9 milhões, segundo a auditoria — para financiar viagens, jantares e bens de alto valor.

Entre os gastos identificados estão R$ 430 mil em joias, R$ 370 mil em troca de veículos, terrenos de R$ 220 mil cada, um projeto de casa de R$ 3 milhões em condomínio de luxo e mais de R$ 200 mil em terraplanagem para plantio de café.

Materiais apreendidos na casa de Bruno Valadares, diretor financeiro da Globalsys – Foto: Divulgação PCES

O plano e a execução

  • Bruno Nunes contratou Arthur Laudevino para buscar o carro clonado em Minas Gerais.

  • Bruno Nunes e Eferson foram até a Paraíba buscar Arthur Neves, executor do crime.

  • O plano previa que Bruno Valadares estivesse fora do país — ele viajou com a família para Orlando, nos EUA, retornando um dia antes do crime.

  • A vítima viajou durante a semana, impedindo que o crime acontecesse no tempo previsto. Quando Wallace retornou de viagem, os suspeitos foram avisados e ficaram de tocaia no local aguardando melhor momento para a execução.
  • No dia do crime, Arthur Laudevino dirigiu o veículo usado no crime e Arthur Neves, que estava no banco de trás, atirou contra Wallace quando ele deixava a empresa, na Praia da Costa.

  • Após a execução, os suspeitos abandonaram o Fiat Pulse e fugiram em outro carro, seguindo para o norte do estado e depois para a Bahia.

  Quanto cada suspeito recebeu para matar o empresário?

Segundo a polícia, o executor recebeu R$ 50 mil para matar Wallace Lovato; Eferson, R$ 20 mil (ele diz ter sido R$ 8 mil); Arthur Laudevino, R$ 20 mil; e o valor pago a Bruno Nunes ainda não foi confirmado, já que ele recebia vários pagamentos mensais de Bruno Valadares, o mandante.

Próximos passos da investigação

A motivação do crime, de acordo com a investigação, foi mesmo financeira. Agora, a próxima fase é o bloqueio dos bens dos envolvidos e tentar recuperar os valores desviados. Bruno Nunes segue foragido. Informações podem ser repassadas anonimamente pelo Disque-Denúncia 181.

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