A primeira noite do Carnaval de Vitória mostrou por que a avenida é território de emoção, fé e resistência. Cinco escolas deram início aos desfiles com enredos que cruzaram história, religiosidade, poder feminino e ancestralidade, além de superação diante dos imprevistos. Do luxo da MUG à força simbólica da Imperatriz do Forte, passando pela irreverência da Jucutuquara, pela garra da Novo Império e pela abertura vibrante da Pega no Samba, o Sambão do Povo viveu uma estreia marcada por diversidade estética, mensagens fortes e muito samba no pé.
Pega no Samba abre o Carnaval de Vitória e leva o ‘rei da mata' para a avenida
A primeira escola a desfilar no Sambão do Povo nesta sexta-feira (6) foi o Grêmio Recreativo Escola de Samba Pega no Samba, que abriu oficialmente o Carnaval de Vitória 2026, às 22h em ponto.
A escola do bairro Consolação, na capital, levou para a avenida o enredo “Okê Caboclo Sete Flechas – Guardião Ancestral da Natureza”, contando a trajetória da entidade conhecida como o rei da mata, curandeiro e guardião das florestas.
O desfile, com duração de 61 minutos, destacou a ancestralidade indígena, a força da natureza e a importância do equilíbrio entre o ser humano e o meio ambiente.
A comissão de frente apresentou uma coreografia inspirada em indígenas, com figurinos nas cores vermelho e laranja. Já o primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira brilhou na avenida com fantasias em tons de azul e dourado.

Muita cor e brilho na avenida
As alas, que representaram a fauna e a flora, desfilaram em tons de azul, rosa, roxo e verde. Os carros alegóricos, ricos em detalhes, marcaram a apresentação e reforçaram a proposta de levar o público a um mergulho nas florestas e na riqueza da natureza, retratada por animais, plantas e elementos naturais. Vestidas de vermelho e azul, cores das araras, as passistas deram um show de simpatia na avenida.

Ao todo, a Pega no Samba levou 1.400 componentes para o desfile, organizados em 20 alas, além de três carros alegóricos e um tripé.
A bateria Locomotiva, comandada pelos mestres Leandrinho e Neném, animou arquibancadas e camarotes. À frente dos ritmistas, a rainha de bateria Ana Pent’z chamou atenção com uma fantasia deslumbrante em vermelho, enquanto o rei de bateria, Alessander Constantino, vestindo um tom de verde vivo, mostrou muito samba no pé.
Novo Império sustenta desfile mesmo com problemas no som
A segunda escola a desfilar no Sambão do Povo nesta sexta-feira (6) foi a Novo Império, agremiação da Grande Santo Antônio, em Vitória. Com o enredo “Aruanayê – Guardiãs dos Mistérios Ancestrais”, a escola levou à avenida uma narrativa simbólica que celebra a conexão entre xamãs africanas e guerreiras indígenas, retratadas como guardiãs do saber ancestral.

A passagem da agremiação foi marcada por um problema técnico no sistema de som, mas isso não desanimou os integrantes e nem o público, que sustentou no “gogó” e cantou alto, incentivando a escola.
Neste ano, a Azul, Branco e Rosa contou com 1.500 integrantes, distribuídos em 20 alas, além de três carros alegóricos e um tripé, enchendo a avenida de cores, movimento e brilho.
Os carros vieram para o Sambão grandes, com movimento e efeitos especiais. Alas coreografadas deixaram a passagem da escola ainda mais empolgante.
O segundo casal de mestre-sala e porta-bandeira deu um show de simpatia e desfilou com uma fantasia luxuosa, colorida e rica em pedrarias.

Destaque para a força feminina e a natureza
O desfile, assinado pelo carnavalesco Osvaldo Garcia, destacou a força feminina, a natureza e a lua cheia, além do respeito às tradições, ressaltando o papel da mulher na preservação da espiritualidade e da memória dos povos originários.
A bateria, comandada pelo mestre Vinicius Seabra, sacudiu a família imperiana e contagiou o público com ritmo e energia.

Jucutuquara exalta Maria Padilha entre gargalhadas e poder feminino
Com o enredo “Arreda, homem, que aí vem mulher”, a Unidos de Jucutuquara pediu passagem no Sambão do Povo e foi a terceira escola a desfilar nesta sexta-feira (6).
Uma das agremiações mais tradicionais e vitoriosas do Carnaval Capixaba, a Jucutuquara levou para a avenida uma narrativa potente, centrada na figura de Maria Padilha, entidade das tradições afro-brasileiras cultuada como pombagira das encruzilhadas.
A apresentação exaltou Maria Padilha como uma força ancestral que atravessa tempos, territórios e imaginários, conectando espiritualidade, cultura popular e memória coletiva. O desfile também propôs uma reflexão sobre o poder feminino, valorizando mulheres que rompem silêncios, ocupam espaços e constroem suas próprias trajetórias.

Com fantasias em preto e vermelho, a comissão de frente marcou a entrada da escola na avenida com uma coreografia vibrante e muitas gargalhadas.
A coruja, símbolo da agremiação, esteve presente na primeira alegoria, com movimentos na cabeça e nas asas, chamando a atenção pela riqueza de detalhes.

Em forte contraste de preto e vermelho, as alas reforçaram a identidade visual da escola e deram o tom do desfile.
Inspirado no jogo de cartas do cabaré Jucutuquara, o segundo carro alegórico, em tons de dourado e vermelho, trouxe odaras com saias rodadas e flutuantes, acrescentando leveza e encantamento à apresentação.

Já o terceiro carro destacou o Galo da Meia-Noite e apresentou frases em defesa do combate à intolerância religiosa. À frente da bateria Nação, a rainha Fernanda Passon deslumbrou o público em uma fantasia com rosas e plumas pretas.

Neste ano, a Jucutuquara levou para a avenida 1.400 componentes, distribuídos em 19 alas, além de três carros alegóricos e um tripé, enchendo o Sambão do Povo de cores, movimento e brilho.

MUG celebra o legado de Teresa da Baviera em desfile luxuoso
De olho no 10º título no grupo especial, a Mocidade Unida da Glória (MUG) sacudiu o Sambão do Povo nesta sexta-feira (6) com o enredo “O Diário Verde de Teresa”, inspirado no livro Viagem ao Espírito Santo – 1888.
A escola contou a passagem da princesa e cientista Teresa da Baviera pelo Estado, destacando sua curiosidade científica e amor pela natureza. A musa inspiradora da Mocidade veio representada na comissão de frente, com coregografia especial.

Luxo e criatividade na avenida
Assinado pelo carnavalesco Petterson Alves, o desfile trouxe figurinos luxuosos, carros alegóricos gigantes e uma estética impressionante, transformando o Sambão do Povo em uma celebração da biodiversidade capixaba.

Carros com movimentos e efeitos especiais encantaram o público! Fantasias com muitas plumas, pedrarias e até luzes de LED chamaram atenção.

A escola apresentou um Espírito Santo exuberante, diverso e pulsante, convidando o público a refletir sobre identidade, território e sustentabilidade.
À frente da bateria, a rainha Layla Bastos encantou o público, comandando os ritmistas e elevando ainda mais a energia da Mocidade na avenida.

A cantora Andrea Nery também marcou presença, soltando a voz e dando show de simpatia.

A MUG se despediu da avenida com gritos de “É campeã”, vindos da arquibancada. Será que vem aí mais um título para o Leão da Glória?

Imperatriz do Forte encerra a primeira noite do Carnaval com cores e “xirê”
Encerrando a primeira noite do Carnaval Capixaba, a Imperatriz do Forte levou para o Sambão do Povo o enredo “Xirê: Festejo às Raízes”, uma celebração da riqueza dos rituais, da ancestralidade e da diversidade das matrizes africanas presentes na formação cultural brasileira.
Por volta das 4h, a escola entrou na avenida destacando a dança de roda como expressão do sagrado em movimento, espaço de memória, saber e resistência. A comissão de frente, com uma coreografia envolvente e ritmada, convidou o público a dançar e celebrar a força do xirê, abrindo o desfile com energia e conexão espiritual.
O conjunto apresentado ao longo da avenida exaltou a espiritualidade e a potência cultural dos povos africanos e afro-brasileiros, ressignificando o passado e reafirmando a cultura negra como força viva e estruturante da identidade nacional.
A primeira alegoria, em tons de verde e rosa, trouxe imponentes coroas da Imperatriz, simbolizando realeza, tradição e resistência. Com samba no pé e muito carisma, as passistas desfilaram com fantasias em verde, adornadas com laços nos adereços de cabeça, levantando o público.

Na sequência, a segunda alegoria coloriu a avenida com contrastes de azul e verde. Representando uma caravela, o carro alegórico impressionou pela grandiosidade e riqueza de detalhes.

A rainha de bateria Izabella Azevedo, em uma fantasia com pedrarias em um vibrante tom de rosa, brilhou à frente da Berço do Samba.

As baianas, em conjunto com a Velha Guarda, encantaram o Sambão do Povo ao desfilar com fantasias rendadas em branco e rosa, simbolizando tradição, respeito e a continuidade da história da escola.

No encerramento, a última alegoria tomou a avenida com uma explosão de cores. A ala final, animada e pulsante, vestida em tons de amarelo, azul, vermelho e verde, distribuiu sorrisos e alegria, marcando o fim do desfile com alto astral.

A Imperatriz do Forte, do bairro Forte São João e Romão, encerrou sua apresentação por volta das 5h da manhã deste sábado (7), levando energia, ritmo e beleza ao público e fechando com brilho a primeira noite de desfiles do Carnaval de Vitória.


