Espécies nativas ajudam na polinização, contribuem para a produção de alimentos e ainda podem representar uma fonte de renda para produtores rurais.
Quando se fala em abelhas, muita gente lembra logo do mel. Mas existe um trabalho silencioso, realizado por espécies que passam quase despercebidas e fazem diferença tanto na natureza quanto no campo.
As abelhas nativas sem ferrão desempenham um papel importante na polinização de plantas cultivadas e da vegetação nativa. É esse trabalho que ajuda na formação de flores, frutos e sementes, contribuindo para a produção de alimentos e para a conservação da biodiversidade.
Foi durante um trabalho de recuperação ambiental que o técnico em meliponicultura Hércules Birckler percebeu que apenas plantar árvores não era suficiente. Era preciso trazer de volta também os polinizadores.
Foi assim que nasceu o Jardim de Mel. O espaço reúne 16 espécies de abelhas nativas sem ferrão e recebe produtores, estudantes e visitantes interessados em conhecer mais sobre a meliponicultura, atividade dedicada à criação dessas espécies.

Além do papel na conservação da natureza, a meliponicultura também pode abrir novas oportunidades no campo. O mel dessas abelhas é bastante valorizado e, junto com o própolis e outros derivados, pode representar uma fonte de renda para muitas famílias.
Os benefícios vão além dos meliponários. Segundo dados do IBGE, a polinização animal contribui, em média, com mais de 16% do valor da produção agrícola e extrativista do Brasil. Estima-se ainda que cerca de 75% das culturas agrícolas destinadas à alimentação dependam, em algum grau, da ação dos polinizadores.
No Espírito Santo, essas pequenas abelhas também vêm chamando a atenção pelos resultados na cafeicultura. Segundo a bióloga Thaíz Romão, uma pesquisa recente aponta que a presença de abelhas sem ferrão pode aumentar a produção do café conilon em até 65%.

Para Thaíz, a maior lição deixada pelas abelhas vai além da natureza.
“A mensagem que as abelhas deixam é que a cooperação é o segredo para a gente prosperar. A gente precisa cooperar uns com os outros para produzir mais.”
Dentro de uma colmeia, cada abelha tem uma função. Sozinha, ela faz pouco. Juntas, garantem a sobrevivência da colônia e ajudam a manter a natureza em equilíbrio. É uma lembrança de que, no campo e na vida, bons resultados costumam nascer quando cada um faz a sua parte.





