Linhas de crédito com taxas reduzidas e subsidiadas vão atender desde o custeio da lavoura até a compra de máquinas, energia solar e conectividade no campo; recursos ficam disponíveis até junho de 2027
O Banestes – Banco do Estado do Espírito Santo – anunciou a abertura do Plano Safra 2026/2027 com R$ 1 bilhão em recursos para financiamentos de crédito rural no Estado. O volume, que supera os R$ 700 milhões concedidos na safra anterior, chega ao mercado com a promessa de alcançar produtores de todos os portes — mas com uma orientação declarada para o pequeno agricultor. A medida tem potencial para mexer com a base da economia agrícola capixaba, que depende de milhares de propriedades familiares espalhadas pelos 78 municípios.
Os empréstimos podem ser usados em praticamente todas as etapas do ciclo produtivo: compra de insumos, tratos de cultivo, aquisição de máquinas e implementos, renovação e implantação de lavouras, construção e reforma de estruturas rurais, eletrificação, geração de energia a partir de fontes renováveis e até equipamentos de conectividade no campo. As taxas são reduzidas e parte das linhas conta com subsídios, o que barateia o acesso ao dinheiro num momento em que o setor convive com custos de produção elevados.
O diretor-presidente do Banestes, Carlos Artur Hauschild, declarou em comunicado que a carteira de crédito rural do banco vem crescendo de forma consistente e que a decisão de manter R$ 1 bilhão para a nova safra reflete a confiança no setor produtivo do Espírito Santo. Segundo ele, o foco é direcionado principalmente ao pequeno produtor, com recursos para custeio, financiamento de máquinas e equipamentos, formação de lavoura de café e pimenta, aquisições de ativos, construções e reformas.
A ênfase no café e na pimenta não é casual.
As duas culturas estão entre as que mais empregam e geram renda no interior capixaba. O café conilon, em particular, tem no Espírito Santo o maior polo produtor do país, e o acesso a crédito barato pode ajudar a renovar lavouras envelhecidas, aumentar a produtividade e melhorar a qualidade do grão que chega à indústria.
Já a pimenta-do-reino, concentrada no norte do Estado, encontra no financiamento uma alavanca para ampliar área plantada e adotar técnicas mais modernas de cultivo.
Um diferencial apontado pelo banco é a capilaridade. O Banestes é a única instituição financeira com agências em todos os municípios capixabas. Além da rede própria, mantém parcerias com empresas privadas de assessoria técnica, vendedores de sistemas de irrigação e tratores, e com o Incaper — Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural —, que pode prestar assistência a quem precisa elaborar os projetos exigidos para as linhas de investimento.
Esse arranjo tende a encurtar a distância entre o produtor e o crédito, especialmente em regiões onde a presença de outras instituições é limitada.
O gerente de Crédito Rural e para Investimentos do banco, Fernando Aloquio, detalhou que a liberação do financiamento passa pela comprovação da posse da terra — seja por propriedade, arrendamento, assentamento ou aluguel —, pela situação tributária em dia e pela regularidade ambiental, como o Cadastro Ambiental Rural (CAR) e licenças. “Existe a possibilidade de desconto na taxa contratada, caso o produtor apresente regularidade no Cadastro Ambiental Rural”, acrescentou, num aceno a quem estiver com a documentação ambiental em ordem, de acordo com o comunicado do banco.
Para o produtor, o caminho prático é procurar a agência do Banestes na sua região.
Os recursos valem até 30 de junho de 2027 e podem ser acessados durante todo o período, o que dá flexibilidade para encaixar o pedido no ritmo de cada cultura.
Com R$ 1 bilhão em jogo e uma estrutura que alcança cada canto do Estado, o Plano Safra do Banestes chega como um reforço e tanto para quem vive do campo — e para uma economia que depende, em boa medida, do que é colhido da terra capixaba.






