Quase nove em cada dez pessoas que morreram por afogamento no Espírito Santo entre 2023 e 2025 eram homens. Eles representam 86,8% das vítimas, morrendo 7,2 vezes mais que as mulheres. O levantamento também mostra que os jovens de 15 a 24 anos concentram a maior parcela dos óbitos, enquanto crianças de 0 a 4 anos aparecem como o grupo infantil mais vulnerável.
Os dados fazem parte da pesquisa sobre prevenção aquática e vítimas por afogamento, apresentada nesta quinta-feira (23) pelo Instituto Jones dos Santos Neves (IJSN), em parceria com o Corpo de Bombeiros Militar e a Sociedade Brasileira de Salvamento Aquático (Sobrasa). O estudo reúne informações sobre o perfil das vítimas, os locais de maior incidência e os períodos em que os casos são mais frequentes.
Embora o Espírito Santo tenha reduzido em 14,7% o número de mortes por afogamento entre 2023 e 2025, passando de 165 para 141 óbitos, o problema continua presente. Somente até julho de 2026, o Estado já registra 76 mortes por afogamento.
Crianças exigem atenção
Além dos jovens, o estudo chama atenção para o risco entre crianças pequenas. A faixa de 0 a 4 anos responde por 7,4% das vítimas.
Durante a apresentação, a subcomandante do 5º Batalhão do Corpo de Bombeiros, major Gabriela Andrade, alertou que “quatro crianças vão morrer hoje afogadas”, ao citar a média nacional. Segundo ela, muitos desses casos acontecem dentro das residências e nem sempre chegam ao conhecimento das equipes de resgate. A oficial reforçou que “o afogamento não é acidente, não acontece por acaso, tem prevenção e essa é a melhor forma de evitar o afogamento”.
Água doce concentra mais mortes
O levantamento mostra que lagos, lagoas e represas respondem por 33,6% dos óbitos registrados entre 2023 e 2025. Em seguida aparecem rios e cursos d'água, com 30,2%, e o mar, com 20,2%.
Segundo os pesquisadores, a maior parte das mortes ocorre em ambientes naturais, onde muitas vezes não há guarda-vidas e os banhistas são expostos a riscos que nem sempre conseguem identificar.
Verão e fins de semana
Os afogamentos apresentam forte sazonalidade. O verão, entre dezembro e março, e o mês de julho, período de férias escolares, concentram a maior incidência de casos.
Os fins de semana também se destacam. Sábados e domingos somam 38,2% de todas as mortes registradas pelo estudo.
Municípios com mais registros
Na série histórica entre 2018 e 2026, Linhares lidera o número de mortes por afogamento, com 91 registros. Na sequência aparecem Guarapari (70), Vitória (67), Serra (67), Vila Velha (62) e São Mateus (55).
O estudo aponta que o tipo de ocorrência varia entre os municípios. Em Linhares predominam os casos em lagos e represas. Já em Guarapari, a maioria das mortes acontece no mar, indicando a necessidade de estratégias específicas para cada realidade.

