Embora as prefeituras do Espírito Santo tenham fechado 2025 com aumento na arrecadação, um dado chama a atenção: a forte queda nas receitas de capital, puxada pelo tombo nas operações de crédito, reduziu o ritmo de crescimento das receitas municipais e acendeu um sinal de alerta para os investimentos.
Levantamento do anuário Finanças dos Municípios Capixabas, da Aequus Consultoria, mostra que a receita total dos 78 municípios alcançou R$ 27,91 bilhões em 2025, alta de 3,3% sobre o ano anterior. Apesar do crescimento, o avanço foi bem inferior ao registrado nos últimos anos, consolidando uma desaceleração iniciada após o salto de 11,6% observado em 2022.
O principal motivo está na queda das receitas de capital, que despencaram 25,7%, passando para R$ 1,63 bilhão. Dentro desse grupo, o maior impacto veio das operações de crédito, cujos recursos caíram de R$ 845,2 milhões para R$ 190 milhões, um recuo de aproximadamente 77,5%, a maior queda entre os principais indicadores do levantamento.
Segundo a Aequus, a retração está relacionada ao primeiro ano dos novos mandatos municipais, período em que historicamente há menor contratação de financiamentos para obras e investimentos.
As receitas correntes, responsáveis por manter o funcionamento das prefeituras, seguiram em alta e cresceram 5,8%, totalizando R$ 26,28 bilhões, mas também em ritmo mais moderado diante do enfraquecimento da economia.

A arrecadação própria dos municípios aumentou 5,7%, alcançando R$ 5,54 bilhões, após três anos consecutivos de crescimento acima de dois dígitos.
O ISS, principal tributo municipal e responsável por 54,9% da arrecadação própria, somou R$ 3,04 bilhões, alta de 5,6%. O desempenho acompanhou a desaceleração do setor de serviços no Estado, que saiu de um crescimento de 6,2% em 2024 para apenas 1,2% em 2025, segundo o IBGE.
Já o IPTU arrecadou R$ 757,4 milhões, alta de 7,6%, com crescimento em 61 dos 78 municípios. A Serra registrou aumento de 12,4%, atingindo R$ 135,4 milhões, ultrapassando Vitória e assumindo a segunda colocação estadual. Vila Velha permaneceu na liderança, com R$ 166,7 milhões, avanço de 9,6%.
O ITBI também bateu recorde histórico, chegando a R$ 441,3 milhões, crescimento de 7,2%, mesmo em um cenário de juros elevados. Entre as transferências, o Fundo de Participação dos Municípios (FPM) distribuiu R$ 3,5 bilhões às cidades capixabas, alta de 7,3%, acima da média nacional de 6,5%. Já a cota-parte municipal do ICMS cresceu 3,4%, somando R$ 4,5 bilhões, refletindo a desaceleração da atividade econômica brasileira.
Apesar da perda de ritmo, o economista Alberto Borges, editor do anuário, destaca que o cenário ainda é positivo. “O resultado de 2025 confirma que a arrecadação dos municípios capixabas segue crescendo, ainda que em ritmo mais moderado, acompanhando o menor dinamismo da economia nacional. É um cenário de normalização, não de retração.”
Outro destaque foi o saldo positivo de R$ 2,65 bilhões no Fundeb, equivalente a 10,1% da receita corrente dos municípios. O valor corresponde à diferença entre os R$ 4,7 bilhões recebidos do fundo e os R$ 2,05 bilhões destinados à sua formação.
Os dados fazem parte da 32ª edição do anuário Finanças dos Municípios Capixabas, elaborado com base nas prestações de contas enviadas pelos 78 municípios ao Sistema de Informações Contábeis e Fiscais do Setor Público Brasileiro (Siconfi), da Secretaria do Tesouro Nacional.
Veja abaixo as receitas dos municípios:
Receita Total
1º Vitória – R$ 3.638.758.479,68 (População: 343.378)
2º Serra – R$ 2.922.965.152,81 (População: 579.720)
3º Vila Velha – R$ 2.503.027.927,73 (População: 506.779)
4º Cariacica – R$ 1.807.352.771,82 (População: 376.200)
5º Linhares – R$ 1.261.214.003,41 (População: 183.797)
6º Aracruz – R$ 1.076.863.445,58 (População: 103.363)
7º Cachoeiro de Itapemirim – R$ 1.046.981.000,87 (População: 198.342)
8º Colatina – R$ 921.387.423,50 (População: 129.301)
9º Guarapari – R$ 704.141.965,26 (População: 136.311)
10º São Mateus – R$ 698.998.623,54 (População: 134.423)
Os 10 municípios com maior queda na receita total entre 2024 e 2025
1º São José do Calçado: caiu de R$ 110.863,9 mil em 2024 para R$ 96.008,0 mil em 2025 (-13,4%). Receita per capita: R$ 8.413,64.
2º Presidente Kennedy: caiu de R$ 515.443,5 mil para R$ 446.911,6 mil (-13,3%). Receita per capita: R$ 25.011,84.
3º Pedro Canário: caiu de R$ 172.265,6 mil para R$ 151.280,9 mil (-12,2%). Receita per capita: R$ 6.900,56.
4º Mimoso do Sul: caiu de R$ 178.052,8 mil para R$ 163.855,2 mil (-8,0%). Receita per capita: R$ 6.531,22.
5º Marataízes: caiu de R$ 477.372,7 mil para R$ 439.376,5 mil (-8,0%). Receita per capita: R$ 9.561,43.
6º Divino de São Lourenço: caiu de R$ 48.810,5 mil para R$ 45.587,7 mil (-6,6%). Receita per capita: R$ 8.446,86.
7º Bom Jesus do Norte: caiu de R$ 83.103,5 mil para R$ 78.660,4 mil (-5,3%). Receita per capita: R$ 7.269,90.
8º Itapemirim: caiu de R$ 600.323,3 mil para R$ 569.743,1 mil (-5,1%). Receita per capita: R$ 12.942,82.
9º Serra: caiu de R$ 3.032.676,1 mil para R$ 2.922.965,2 mil (-3,6%). Receita per capita: R$ 5.042,03.
10º Sooretama: caiu de R$ 222.713,3 mil para R$ 216.098,0 mil (-3,0%). Receita per capita: R$ 7.537,95.


