Quando uma família inicia um inventário, é comum que as maiores preocupações sejam os prazos, a documentação e os tributos envolvidos. No entanto, existe um aspecto que muitas vezes passa despercebido e que pode comprometer toda a divisão patrimonial: a correta avaliação dos imóveis.
É relativamente comum que herdeiros utilizem como referência o valor venal constante no carnê de IPTU ou estimativas informais feitas por conhecidos. Embora esses números possam atender a finalidades tributárias específicas, dificilmente representam o real valor de mercado do bem.
Um caso recente demonstra bem essa realidade.
Durante um inventário, uma família precisava dividir um terreno de aproximadamente 8.000 metros quadrados. Inicialmente, o imóvel foi considerado com base em um valor de cerca de R$ 1,2 milhão. Um dos herdeiros pretendia permanecer com o terreno e indenizar os demais utilizando essa referência.
Antes da conclusão da partilha, foi realizada uma avaliação técnica.
A análise constatou que a região havia passado por significativa valorização imobiliária em razão da expansão urbana, da melhoria da infraestrutura e do potencial de aproveitamento do terreno. Após pesquisa de mercado, vistoria e estudos técnicos desenvolvidos conforme os critérios da ABNT NBR 14.653, verificou-se que o valor de mercado era de aproximadamente R$ 3,8 milhões.
A diferença superava R$ 2,5 milhões.
Caso a partilha tivesse sido realizada com base no primeiro valor, um dos herdeiros poderia ter recebido uma compensação muito inferior ao patrimônio a que efetivamente tinha direito, situação capaz de gerar futuros questionamentos judiciais e prolongar conflitos familiares.
Esse exemplo reforça a importância da avaliação técnica nos processos sucessórios. Mais do que estabelecer um preço, ela proporciona um parâmetro imparcial para que advogados, herdeiros e o Poder Judiciário tomem decisões fundamentadas em critérios objetivos.
O trabalho do engenheiro avaliador consiste justamente em determinar o valor de mercado do imóvel por meio de metodologia reconhecida, pesquisa de mercado, análise das características do bem e observância das normas técnicas aplicáveis. O objetivo não é beneficiar qualquer das partes, mas garantir que a divisão patrimonial ocorra de forma justa e tecnicamente fundamentada.
Em um cenário no qual o patrimônio imobiliário representa parcela significativa da riqueza das famílias brasileiras, investir em uma avaliação técnica adequada deixa de ser um custo adicional e passa a ser uma medida de prevenção de conflitos.
Inventários envolvem, naturalmente, questões emocionais e familiares. Quanto mais objetivas forem as informações utilizadas na partilha, menores tendem a ser as divergências e maior a segurança jurídica para todos os envolvidos.
Ao final, conhecer o verdadeiro valor de um imóvel não significa apenas definir um preço. Significa preservar patrimônio, reduzir litígios e assegurar que a vontade da lei seja cumprida com equilíbrio e justiça.





