O deputado estadual Lucas Polese (PL) publicou um vídeo nas redes sociais em que faz duras críticas ao arcebispo de Vitória, Dom Ângelo Mezzari, após a participação do religioso em um evento que, segundo o parlamentar, teria sido um “comício do PSOL”. Em resposta, a Igreja afirma que as declarações são “mentirosas e odiosas”.
No vídeo, Polese questiona a presença do arcebispo no ato e afirma que a Igreja Católica não deveria se envolver em manifestações de caráter político-partidário. “Quem poderia imaginar que o arcebispo estaria em um comício do PSOL fazendo campanha para a extrema esquerda?”, diz o deputado no início da gravação.
E prosseguiu: “Que papelão, Dom Ângelo. Nosso arcebispo está militando abertamente e fazendo campanha partidária para o PSOL”.
Ao longo do vídeo, o parlamentar também critica a atuação de Dom Ângelo em temas políticos e afirma que o religioso estaria apoiando pautas ligadas ao partido, como a descriminalização do aborto, a legalização das drogas e a chamada ideologia de gênero nas escolas. “Não consigo entender o que um arcebispo faz metido com essa gente”, disparou o parlamentar.
Polese também faz referências à recente discussão sobre excomunhão envolvendo agentes públicos e afirma que a medida estaria sendo utilizada como “arma política” para intimidar adversários.
Em outro trecho, o deputado eleva o tom das críticas e questiona a autoridade espiritual do arcebispo, afirmando que ele “não serve a Cristo, mas a outro deus”. Ao final da publicação, diz que aceita ser excomungado caso suas declarações contrariem a fé cristã.
“Ele [o arcebispo] não serve a Cristo, mas a outro deus. O senhor pode ficar à vontade para me excomungar. Mas para mim a autoridade do senhor é a mesma que Satanás tinha quando citava as escrituras no deserto. Que Deus me puna se tem algum engano nas minhas palavras”, declarou.
Reação da Igreja
A arquidiocese de Vitória divulgou uma nota do Conselho Presbiteral da Arquidiocese de Vitória. No comunicado, o conselho considera o vídeo como “ataques odiosos e mentirosos” e que o arcebispo foi desrespeitado em sua dignidade sacerdotal e de pastor da Igreja de Vitória, além da dignidade conferida por Deus a todo ser humano.
“O vídeo veiculado nas redes sociais no dia 08 de julho de 2026, o autor falta com a verdade, faz uso inadequado de palavras, expressões e da própria imagem episcopal, incitando ódio contra um sucessor dos Apóstolos, além de gerar confusão eclesial e se autopromover politicamente”.
Segundo o comunicado, o deputado utiliza-se de imagens de uma atividade pastoral que aconteceu no último dia 4 de julho, quando foi reinstituída na Arquidiocese, a Comissão Justiça e Paz. “Este organismo, seguindo o chamado da Igreja de testemunhar a caridade de Cristo nosso Senhor, promove a dignidade da pessoa humana em concordância da Doutrina Social da Igreja. O autor distorce a verdade e, transforma o vídeo em uma peça política partidária”.
Os bispos do Regional Leste 3 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) também divulgaram uma nota em que demonstra solidariedade a Dom Ângelo. “Nós, bispos do Regional Leste 3 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), manifestamos nossa solidariedade e comunhão fraterna a Dom Ângelo Ademir Mezzari diante das manifestações ofensivas dirigidas à sua pessoa e ao seu ministério episcopal, em vídeo publicado nas redes sociais, no dia 08 de julho de 2026″.
Ainda de acordo com a nota, a Igreja reconhece o valor da liberdade de expressão e do diálogo democrático. No entanto, nenhuma divergência de pensamento justifica ataques pessoais, desrespeito ou a desqualificação da missão daqueles que foram chamados a servir ao povo de Deus.
“Dom Ângelo exerce seu ministério com fidelidade ao Evangelho, ao Magistério da Igreja e ao compromisso permanente com a promoção da dignidade da pessoa humana, da justiça, da paz e da comunhão. Como pastor da Arquidiocese de Vitória do Espírito Santo, acolhe indistintamente pessoas de diferentes realidades, grupos e convicções, tendo como única referência o ensinamento de Jesus Cristo. Repudiamos qualquer tentativa política de macular sua história, conduta e ministério episcopal. Convidamos todos a cultivarem o respeito, o diálogo e a busca sincera da verdade, para que a convivência social seja marcada pela fraternidade e pelo bem comum”.


