O café deve voltar a pesar no bolso dos consumidores capixabas nos próximos meses. Após registrar uma alta de cerca de 15% nos últimos 30 dias no mercado interno, o aumento da matéria-prima deve começar a ser repassado ao varejo à medida que os estoques atuais forem substituídos.
Segundo Marcus Magalhães, presidente do Sindicato dos Corretores de Café do Espírito Santo, a disparada dos preços é resultado de uma combinação de fatores climáticos que afetaram tanto o café Conilon quanto o arábica.
“No Conilon, houve uma frustração de safra, com uma produção abaixo do esperado. Já o Arábica em função de um clima adverso que tivemos no início das colheitas e essa expectativa que o mercado vem encarando em relação ao El Niño, que poderá ocasionar seca em regiões produtoras de café, ocasionando safras aquém das expectativas”, explicou.
Além desses fatores, segundo Magalhães, a Bolsa de Valores foi impactada por problemas técnicos, o que também ajudou a acelerar o preço do café. “O clima tirou o negócio do café da zona de conforto no primeiro trimestre do ano. Os operadores passaram a entender que o cenário mudou e que recompras precisam ser feitas. Mas todo mundo pensou nisso na mesma hora e, realmente, uma aceleração forte das bolsas”.
Apesar da forte valorização da matéria-prima, o consumidor ainda não sentiu todo o impacto no supermercado. Isso porque o café vendido atualmente nas prateleiras foi comprado pela indústria entre 30 e 60 dias atrás, quando os preços eram menores.
De acordo com Magalhães, o reajuste deve aparecer gradualmente nas próximas semanas, conforme novos lotes chegarem ao varejo. Segundo ele, o café que está na gôndola hoje foi comprado, produzido e entregue antes dessa alta. A previsão mais otimista é de que o impacto deve aparecer nos próximos 30 a 60 dias, quando a indústria repor os novos preços.
Um dos primeiros reflexos já pode ser percebido pelos consumidores. “O que a gente já nota nos varejos é que as promoções de café acabaram. Tinha muita promoção em abril e maio que hoje não existe mais. E, sinceramente, não podemos descartar maiores preços no futuro. Se a matéria prima não cair de preço, como imaginar preços mais baixos. O cenário que temos à frente no vareja é de possíveis altas em função dessa matéria-prima encarecida por causa dos problemas climáticos”.
Embora a matéria-prima tenha acumulado alta próxima de 15%, isso não significa que o mesmo percentual será aplicado diretamente ao consumidor. Segundo o presidente do sindicato, o grão representa cerca de 20% a 25% do custo final do produto. O restante é composto por despesas como mão de obra, logística, embalagens e tributos.
Mesmo assim, ele não descarta um reajuste de aproximadamente 10% no varejo, caso o cenário climático continue desfavorável. “Se esse cenário persistir, é possível termos reajustes próximos de 10% nas prateleiras. É difícil precisar um percentual, mas a tendência hoje não é de queda”, afirma.
Para Magalhães, dificilmente o café voltará aos preços registrados antes da recente valorização. Embora ele não espere uma repetição dos valores recordes observados entre 2024 e 2025, a expectativa é que o mercado entre em um novo patamar de preços.
“O mercado precificou esse novo normal. Acho que o mercado agora precisa respirar para que todos os atores possam consolidar essa alta de preço e enfrentar os desafios que vem pela frente”, concluiu.


