Aprendemos com nossos pais e avós que um bom trabalho falava por si só, podia ser no tempo deles, hoje eu gostaria que isso fosse verdade. Mas, na prática, o mercado não enxerga tudo o que você faz, ele enxerga aquilo que consegue compreender. E existe uma diferença enorme entre uma pessoa extremamente competente e uma pessoa que consegue tornar essa competência visível, são habilidades diferentes.
Talvez por isso tanta gente experiente continue sendo pouco lembrada, enquanto outras pessoas, às vezes com menos tempo de carreira, ocupam espaços de destaque. Não porque necessariamente saibam mais, mas porque aprenderam a traduzir melhor o valor que entregam. E traduzir não significa exagerar resultados ou vender uma imagem que não existe, significa construir clareza, ao conseguir explicar um projeto sem complicá-lo, ao apresentar uma ideia de forma convincente, ao responder uma pergunta sem desperdiçar a oportunidade, ao conduzir uma reunião, ao fazer um bom pitch, ao dar uma entrevista, ao participar de um painel. Ou simplesmente ao conseguir explicar, em poucos minutos, por que o seu trabalho importa. Isso também é competência e talvez seja uma das competências mais negligenciadas da vida profissional.
Vejo isso acontecer com frequência por onde passo, pessoas brilhantes tecnicamente, que dominam profundamente o que fazem, mas que nunca desenvolveram a habilidade de comunicar esse conhecimento. E o resultado é quase sempre o mesmo: elas deixam que outras pessoas contem suas histórias por elas ou, pior, permitem que o mercado subestime aquilo que realmente sabem fazer.
É curioso porque, durante muito tempo, tratamos a comunicação como um acessório da carreira, mas ela nunca foi só isso. A comunicação também faz parte da entrega, porque uma boa ideia mal apresentada perde força, um projeto excelente mal explicado perde impacto, uma pesquisa extraordinária mal defendida perde espaço. E um profissional que não consegue traduzir o próprio valor acaba sendo percebido abaixo daquilo que efetivamente entrega.
Isso não significa que todo mundo precise virar palestrante, influenciador ou criador de conteúdo. Significa apenas reconhecer que toda carreira precisa desenvolver formas de tornar seu trabalho compreensível para as pessoas certas. Às vezes isso acontece em uma conversa, em uma apresentação, em uma reunião de quinze minutos ou em uma entrevista. O formato muda, enquanto a responsabilidade continua a mesma. Porque comunicar não é fazer propaganda de si mesmo, é diminuir a distância entre aquilo que você sabe fazer e aquilo que o outro consegue perceber.
No fim, competência e comunicação não competem entre si, elas se potencializam. E talvez uma das perguntas mais importantes que você possa se fazer hoje seja esta: Se alguém tivesse apenas cinco minutos para conhecer meu trabalho, conseguiria entender o valor que eu entrego? Porque o mercado dificilmente recompensa aquilo que não consegue enxergar.
Pílula Dourada
Competência abre caminhos, a comunicação faz as pessoas perceberem por que você merece percorrê-los.





