Quem abre uma conta ou contrata um financiamento costuma comparar taxas, atendimento e condições oferecidas pelas instituições financeiras. O que pouca gente sabe é que bancos e cooperativas de crédito funcionam de maneiras bastante diferentes, principalmente quando o assunto é participação dos clientes, tomada de decisões e destino dos resultados financeiros.
Embora ofereçam serviços semelhantes no dia a dia, como conta corrente, cartão, investimentos, crédito e financiamentos, os dois modelos têm estruturas distintas. No Dia Internacional do Cooperativismo, celebrado em 4 de julho, especialistas explicam as principais diferenças entre eles.
Banco Central afirma crescimento
O modelo vem ganhando escala no país. Dados divulgados nesta semana pelo Banco Central mostram que as cooperativas de crédito ultrapassaram pela primeira vez a marca de R$ 1 trilhão em ativos em 2025 – R$ 1,036 trilhão ao fim do ano, alta de 17% sobre o ano anterior. Segundo o Panorama do Sistema Nacional de Crédito Cooperativo, o segmento já reúne 21,2 milhões de cooperados e está presente em 59% dos municípios brasileiros, com carteira de crédito crescendo 13,1% no ano – ritmo acima dos 8,5% registrados pelo restante do Sistema Financeiro Nacional.
Segundo o diretor executivo da Sicredi Serrana, Fabrício Cambruzzi, conhecer essas características ajuda as pessoas a entenderem melhor o funcionamento das instituições financeiras. “Muitas pessoas utilizam uma cooperativa da mesma forma que utilizam um banco, mas não sabem que existem diferenças importantes na forma como essas organizações são constituídas e administradas. Entender esse modelo ajuda o associado a participar de maneira mais consciente da vida da cooperativa.”

Quem é o dono?
A primeira diferença está na própria estrutura da instituição. Nos bancos, os proprietários são acionistas ou investidores. Nas cooperativas de crédito, os próprios associados são os donos do negócio. Ao ingressar na cooperativa, cada associado passa a integrar a instituição e participa das decisões sobre sua administração.
Quem toma as decisões?
Outra característica é a participação democrática. Enquanto as decisões dos bancos são tomadas pelos acionistas e pela administração da empresa, nas cooperativas os associados participam das assembleias e exercem o direito de voto.
Independentemente do valor investido ou do volume de movimentação financeira, cada associado possui direito a um voto. “Esse é um dos princípios mais importantes do cooperativismo. Todos os associados têm voz nas decisões da cooperativa, o que fortalece a transparência e o compromisso com os interesses coletivos”, afirma Cambruzzi.
Para onde vai o resultado financeiro?
Essa talvez seja a diferença menos conhecida.Nos bancos, os lucros são distribuídos aos acionistas. Nas cooperativas, parte das sobras – nome dado ao resultado positivo obtido ao final do exercício – retorna aos próprios associados, conforme as regras aprovadas pela cooperativa. Outra parcela pode ser destinada a fundos voltados ao fortalecimento da instituição e ao desenvolvimento das comunidades.
Em 2025, o Sistema Sicredi distribuiu R$ 3,4 bilhões aos associados e destinou R$ 384,8 milhões ao Fundo Social e ao Fundo de Assistência Técnica, Educacional e Social (FATES), utilizado para apoiar iniciativas de educação, desenvolvimento comunitário e inclusão social.
O dinheiro movimentado permanece na região
Outra característica do cooperativismo é que os recursos captados tendem a permanecer circulando nas regiões onde a cooperativa atua.
Segundo Cambruzzi, isso favorece o desenvolvimento econômico local ao estimular novos investimentos, apoiar empreendedores e ampliar o acesso ao crédito. “Quando uma cooperativa cresce, os benefícios não ficam concentrados apenas na instituição. Eles alcançam também empresas, produtores, famílias e organizações da própria comunidade, fortalecendo a economia regional.”
Além dos serviços financeiros
As cooperativas também desenvolvem programas voltados à educação financeira, formação de lideranças, incentivo ao empreendedorismo, voluntariado e apoio a projetos sociais.
Na Sicredi Serrana, um exemplo é o Fundo Social. Em 2026, a cooperativa destinou mais de R$ 2 milhões para apoiar 167 projetos desenvolvidos por entidades sem fins lucrativos. Desde 2018, mais de 1.300 iniciativas já foram beneficiadas.
Para Cambruzzi, esse conjunto de características explica o crescimento do cooperativismo nos últimos anos. “O cooperativismo mostra que é possível oferecer soluções financeiras competitivas e, ao mesmo tempo, manter um compromisso permanente com o desenvolvimento das comunidades onde a cooperativa está presente”, pontua.


