Tecnologia inovadora Tunnel Liner permite escavação sob a rodovia sem interromper o trânsito; sistema de drenagem terá 1,1 km de extensão.
Quem já enfrentou a BR 101 em dia de chuva forte, na altura de Viana, sabe do que estou falando. A água subia, o trânsito parava e motoristas, moradores e comerciantes da região amargavam prejuízos. Mas, a partir desta quarta, dia 24, essa história muda de trajetória.
A data marca o início da obra de macrodrenagem que promete resolver de vez os alagamentos crônicos nos quilômetros 297 e 298 da rodovia, próximo à entrada do bairro Marcílio de Noronha. O investimento é de R$ 39,7 milhões – e a tecnologia escolhida é apontada como a que existe de mais moderno no setor. Quem vai tocar é a Prefeitura de Viana, em parceria com o Governo do Estado.
Para a obra, a novidade será o método chamado de “Tunnel Liner”, uma técnica não destrutiva que permite escavar túneis subterrâneos sem precisar abrir valas gigantes na superfície, ou que fosse rasgar a BR 101. Na prática, isso significa que a obra vai acontecer embaixo da rodovia, sem interditar a pista ou provocar aquele caos no trânsito que todo mundo teme.
O projeto prevê a construção de dois túneis paralelos, cada um com 2,20 metros de diâmetro, somando cerca de 1,1 quilômetro de extensão. A captação da água vai começar na Avenida Espírito Santo, perto da agência do Bradesco, atravessar por baixo da rodovia e desaguar no Rio Formate.
A escolha do Tunnel Liner não foi por acaso.
O método usa escavação subterrânea guiada, com instalação progressiva de anéis metálicos de aço galvanizado. Tudo acontece abaixo do solo, a partir de poços de acesso.
Resultado: a movimentação de terra e a estruturação da drenagem não interferem no fluxo de veículos na BR 101 – um dos principais corredores logísticos do Espírito Santo.
O problema que virou crônica
Quem conhece a região sabe que os alagamentos ali não são de hoje. Depois de intervenções viárias anteriores, como a prefeitura mesmo disse, as redes de drenagem originais ficaram subdimensionadas para o volume de água das chuvas. O efeito era o de uma “caixa d'água” nas vias marginais: quando chovia forte, a água não tinha por onde escoar e acabava subindo, parando o trânsito e alagando comércios e residências.
Com a nova estrutura, o sistema foi dimensionado para vazões severas. Ou seja, foi pensado para dar conta dos temporais que costumam castigar a Grande Vitória.
No anúncio para a obra começar, o prefeito Wanderson Bueno destacou que o projeto de Viana já passou por todas as etapas técnicas e validações junto a órgãos federais e à Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). A obra integra um plano mais amplo de investimentos da cidade voltado para a resiliência urbana e o combate às enchentes.
Apesar de ser um trecho concedido, a Ecovias Capixaba, responsável pela BR, informou que está ciente da obra e foi informada do início dela, mas que toda responsabilidade é do poder público.
O que esperar daqui para frente
A promessa é de alívio para quem mora, trabalha ou simplesmente passa por ali todos os dias. Motoristas que usam a BR 101 – e também a BR 262 na cidade – para chegar ao trabalho ou escoar produção, comerciantes que perdiam mercadoria com a água, moradores que viam a lama interromper seu único caminho – todos devem ser beneficiados.
A obra começa para nos revelar que, quando se junta tecnologia, planejamento e investimento, é possível resolver problemas que pareciam insolúveis. E, desta vez, sem represar a cidade.






