Entidades reagem à decisão judicial contra reportagem da Rede Gazeta

A reportagem destacava o indiciamento dos dentistas Mariana Laranja e Nathan Laranja

Escrito por Josue de Oliveira

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Entidades ligadas ao jornalismo repudiaram decisão da Justiça contra a Rede Gazeta. Foto: Divulgação (Rede Gazeta)

Entidades ligadas à imprensa e ao jornalismo reagiram à decisão judicial envolvendo os dentistas Mariana Laranja e Nathan Laranja, indiciados pela Polícia Civil por lesão corporal causada por procedimentos estéticos. A defesa dos profissionais entrou na Justiça pedindo a retirada e a readequação de reportagens publicadas pela Rede Gazeta, alegando que o conteúdo “extrapola os limites da informação jornalística”.

Na ação, os advogados afirmam que as matérias expuseram os dentistas de forma “indevida” e solicitaram, além da exclusão dos conteúdos, a reformulação das publicações já veiculadas.

A decisão provocou reação imediata da Associação Nacional de Jornais (ANJ), que classificou como uma “absurda intervenção na liberdade de imprensa” a determinação da juíza Telmelita Guimarães Alves. A magistrada determinou alterações na cobertura realizada pelos veículos da Rede Gazeta sobre o caso dos dentistas investigados por procedimentos que teriam causado deformidades em pacientes.

Segundo a ANJ, a Constituição Federal não permite que magistrados definam como as informações devem ser divulgadas ao público. A entidade também criticou a imposição de multa diária de R$ 10 mil caso os veículos não alterassem os conteúdos e inserissem uma nota explicativa antes das reportagens.

A associação informou ainda que se solidariza com a reclamação apresentada pela Rede Gazeta ao Supremo Tribunal Federal (STF) e anunciou que levará o caso ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que mantém um canal de diálogo com entidades de comunicação sobre violações à liberdade de imprensa.

A Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) também reagiu à decisão judicial. Em nota, a entidade afirmou ver “com preocupação” a determinação de retirada de conteúdos, o controle sobre disseminação e monetização das reportagens, além da tentativa de interferência no tom do texto jornalístico.

Para a Abraji, a liberdade de imprensa é garantida pela Constituição e pela jurisprudência brasileira, inclusive em publicações com tom crítico. A entidade destacou que interferências sobre conteúdos jornalísticos, sem comprovação de culpa ou dolo na divulgação de informações falsas, devem ser rejeitadas pela Justiça.

O Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Espírito Santo e a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) também manifestaram repúdio à decisão. As entidades classificaram a medida como censura prévia e cerceamento da liberdade de imprensa, considerada um dos pilares da democracia.

Em nota, o sindicato afirmou que a decisão fere o direito dos jornalistas de informar com precisão, ética e verdade, além de comprometer o direito da sociedade capixaba de receber informações de forma livre, plural e transparente.

As entidades reforçaram ainda o compromisso com a defesa da liberdade de imprensa como um princípio indispensável para uma sociedade democrática, justa e transparente.

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