“Raiar da Liberdade” é o enredo da Unidos da Piedade para 2027

Escola de Vitória levará ao Sambão do Povo a história do Quilombo de Monte Alegre e a luta por liberdade e reparação histórica

Escrito por Julia Galter

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Unidos da Piedade. Foto: @unidosdapiedade
Unidos da Piedade. Foto: @unidosdapiedade

A Unidos da Piedade já definiu o tema que levará para o desfile no Sambão do Povo em 2027. Com o título “Raiar da Liberdade”, o enredo propõe um mergulho na história e na resistência do povo negro, a partir das tradições do Quilombo de Monte Alegre, em Cachoeiro de Itapemirim.

Assinado pelo carnavalesco Vanderson Cesar, o enredo traz como eixo central a tradicional Festa do Raiar da Liberdade, realizada anualmente no dia 13 de maio, data que marca a abolição da escravatura no Brasil. Mais do que celebração, o evento se consolidou ao longo dos anos como um espaço de reflexão e contestação, ao questionar a ideia de uma liberdade plena garantida pela Lei Áurea.

A proposta da escola é levar para a avenida não apenas a memória histórica, mas também o protagonismo negro na luta por liberdade e reparação. A narrativa destaca que, mesmo após 1888, a população negra seguiu enfrentando desigualdades estruturais, mantendo viva sua cultura por meio da resistência, da espiritualidade e das manifestações tradicionais.

Entre os elementos que devem ganhar destaque no desfile estão os tambores, o caxambu e o jongo, símbolos de ancestralidade e força coletiva. A história do Quilombo de Monte Alegre também será representada, com referências a figuras como Negro Adão, que liderou celebrações da liberdade no século XIX, e à mestra Maria Laurinda, responsável por manter viva a tradição do Caxambu Santa Cruz.

Celebração "Raiar da Liberdade". Foto: Secult
Celebração “Raiar da Liberdade”. Foto: Secult

O enredo também dialoga com a atualidade ao reforçar o conceito de “abolição inacabada”, tema debatido na própria Festa do Raiar da Liberdade, que reúne manifestações culturais e discussões sobre racismo estrutural e religioso no Brasil.

Reconhecida como Patrimônio Cultural Imaterial do Espírito Santo desde 2024, a celebração ganha ainda mais visibilidade ao ser transformada em tema de Carnaval. Para a comunidade quilombola, a escolha representa o reconhecimento da importância histórica e cultural do evento.

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