Pai de músico diz viver “três anos de angústia” antes de júri no ES

Sete jurados foram sorteados para o julgamento, que envolve a morte do músico Guilherme Rocha em 2023.

Escrito por Redação

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Foto: Reprodução/TV Sim/SBT

Teve início na manhã desta quarta-feira (20) o júri do ex-policial militar Lucas Torrezani de Oliveira, acusado de matar o músico Guilherme Rocha, de 36 anos. O crime ocorreu em um condomínio em Jardim Camburi, em abril de 2023. Foram sorteados sete jurados, sendo seis mulheres e um homem.

Segundo o promotor de Justiça Rodrigo Monteiro, o objetivo do júri é proporcionar algum alívio à família da vítima:

“Hoje o objetivo é encerrar, entregar um pouco de paz, um pouco de acalento para essa família. O resultado hoje não vai trazer o Guilherme de volta, isso aqui não é vingança, isso é justiça. Então, acredito que hoje a família do Guilherme, os pais do Guilherme, a viúva do Guilherme vão poder voltar para casa e ter uma noite tranquila, uma noite com paz no coração.”

“A gente quer um julgamento justo, um julgamento equilibrado e proporcional para que o réu receba uma pena adequada, justa, porém proporcional à violência gratuita, desnecessária, que ele praticou. Nós esperamos que essa pena não seja inferior a 30 anos”, explicou.

Para o pai da vítima, Glicio Soares, são três anos de angústia e espera.

“Não está sendo fácil. Nós conseguimos viver com a situação. Temos que aprender a viver com a situação. Mas não é fácil, porque todo dia, quase toda hora, alguém pergunta como é que está, como é que foi, está julgado, já foi julgado, está preso, está solto. Isso revive em nós o movimento de sentimento da saudade.”

O julgamento deve se estender por toda esta quarta-feira. A família aguarda ansiosa pelo resultado.

“Nossas leis são muito frágeis. E tem maneiras de se postergar o processo e tudo mais, o que pode, inclusive, fazer com que haja pedido de mudança ou transferência e que não ocorra o julgamento. Mas nós estamos esperando que isso acabe. Que, pelo amor de Deus, para que a gente possa realmente viver em harmonia”, disse o pai.

O caso

Guilherme foi morto a tiros em abril de 2023. Na ocasião, o músico teria ido até o ex-PM, que estava na área comum do condomínio junto com amigos, consumindo bebida alcoólica, para pedir que ele reduzisse o volume do som.

Na segunda tentativa de solicitar a diminuição do volume, o ex-policial sacou a arma e, com um copo de bebida em uma mão e a arma na outra, afirmou: “Eu sou policial militar, você vai fazer o quê?”. Em seguida, efetuou os disparos. Guilherme não teve tempo de ser socorrido e morreu no local, na porta do prédio onde morava.

O crime foi registrado por câmeras de segurança. Após ser baleado, o músico ainda tentou retornar para o prédio, mas foi impedido pelo ex-PM. Lucas Torrezani foi preso dias depois, foi desligado da Polícia Militar e, desde então, aguardava julgamento.

A defesa do ex-policial chegou a pedir o adiamento do júri por conta da saúde de uma das advogadas, mas o pedido foi negado. O advogado de Lucas afirma esperar um julgamento imparcial.

“Casos como esse, a gente sabe que existe um clamor público muito grande. Então, a defesa confia que os jurados, ao final, após a apresentação das provas que a gente pretende demonstrar para os jurados, farão um julgamento imparcial e de acordo com o que demanda a justiça”, disse o advogado.

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