Aprender a ler e escrever depois dos 60 anos deixou de ser uma possibilidade distante para um grupo de moradores de João Neiva. Um projeto da Universidade Aberta da Pessoa Idosa oferece alfabetização gratuita a pessoas idosas no município, com aulas presenciais e atividades de reforço.
Atualmente, 22 alunos participam do Unapi Itinerante, que começou em março de 2026. As aulas são realizadas às sextas-feiras, das 8 às 11 horas, no Centro de Referência em Assistência Social, com acompanhamento de uma doutoranda e uma mestranda do Programa de Pós-Graduação em Educação da Ufes, além de uma professora da rede municipal da Serra.
Acesso e permanência
Além dos encontros presenciais, os participantes recebem atividades para fazer em casa, como forma de reforçar o aprendizado. A proposta leva em conta o ritmo e as experiências de cada aluno, muitos deles afastados da escola desde a infância.
Segundo a coordenadora Monique Cordeiro, o projeto busca ampliar o acesso a direitos e fortalecer a autonomia das pessoas idosas. Ela afirma que “ao considerar as especificidades do envelhecimento, o projeto também promove um ambiente mais acolhedor, respeitoso e adequado ao ritmo e às experiências desse público. Iniciativas dessa natureza dialogam diretamente com o contexto do envelhecimento populacional brasileiro, reforçando a necessidade de políticas públicas e ações extensionistas que garantam não apenas longevidade, mas qualidade de vida, dignidade e inclusão ao longo do processo de envelhecimento”.
A coordenadora também destaca que a iniciativa atende um público que, em muitos casos, não encontrou espaço em formatos tradicionais de ensino. Ela explica que “são pessoas que estão iniciando o processo de alfabetização do zero, que precisaram ingressar precocemente no mundo do trabalho, ainda na infância, enfrentando diversas privações que impediram sua permanência na escola. Os métodos de ensino empregados visam ajudar os participantes a superar as inseguranças iniciais, as dificuldades decorrentes do longo afastamento dos espaços formais de ensino e as especificidades do processo de aprendizagem na velhice, priorizando uma abordagem contextualizada e centrada na realidade dos educandos, valorizando seus saberes prévios e respeitando seus tempos e trajetórias”.
Continuidade do projeto
A seleção dos participantes contou com apoio do Cras de João Neiva, responsável por mapear pessoas idosas em situação de analfabetismo e encaminhá-las para inscrição. O projeto tem previsão de término em agosto de 2026, conforme o período de vigência do edital da Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Espírito Santo.
De acordo com a coordenação, há intenção de ampliar a iniciativa. Monique afirma que “considerando a relevância e o impacto social do projeto, a equipe pretende buscar novas parcerias e fontes de financiamento que possibilitem a continuidade desse trabalho, seja por meio da abertura de novas turmas em João Neiva ou pela expansão para outras localidades”.
Programa de extensão
A ação integra a Universidade Aberta da Pessoa Idosa, programa de extensão vinculado ao Departamento de Serviço Social da Ufes. Em atividade há 28 anos, a iniciativa atende cerca de 200 pessoas por semestre e oferece atividades voltadas à educação continuada para pessoas com mais de 60 anos.
O programa também busca enfrentar a visão negativa associada ao envelhecimento, promovendo a inclusão e o fortalecimento da cidadania. Em 2025, a Unapi recebeu o Prêmio Maria Filina de Mérito Extensionista, concedido pela Pró-Reitoria de Extensão da universidade.
O projeto em João Neiva segue em andamento e mantém as inscrições articuladas por meio da rede de assistência social do município.


