Durante a solenidade de comemoração dos 60 anos da unidade da Vale no Porto de Tubarão, em Vitória, o presidente da empresa, Gustavo Pimenta, reforçou que a mineradora vai investir R$ 12 bilhões no Espírito Santo até 2030. O aporte faz parte da estratégia da companhia para ampliar a produção, modernizar operações e retomar posição de destaque entre as maiores empresas do mundo.
Atualmente, a Vale ocupa a 10ª colocação no ranking global das maiores empresas do mundo, mas, segundo Pimenta, a meta é recolocar a empresa entre as líderes mundiais, posição que já ocupou no passado, quando foi a segunda maior.
Sem estabelecer prazo para voltar ao topo do ranking global, Gustavo Pimenta reforçou que a ambição da companhia é clara. “A Vale não pode ser a 10ª. A gente tem que estar entre as maiores”, declarou.
Segundo ele, o caminho para isso passa pelo crescimento da produção, investimentos em tecnologia, modernização logística, inteligência artificial e expansão da agenda de sustentabilidade. “Se a gente destravar esse potencial minerário, a Vale retoma esse protagonismo”, concluiu.
Segundo o executivo, o Espírito Santo tem papel central nesse plano de crescimento, especialmente pela estrutura logística e pelo protagonismo na agenda de descarbonização da indústria siderúrgica. “O Espírito Santo tem um papel fundamental nessa estratégia nossa de aço verde, de ganho de escala e de competitividade. Vai seguir sendo um polo muito importante em desenvolvimento para a companhia”, afirmou.
Estratégia global e protagonismo
Ao falar sobre o cenário internacional, Gustavo Pimenta destacou que as tensões geopolíticas e os conflitos mundiais, embora tragam impactos negativos, também abrem oportunidades para o Brasil se consolidar como fornecedor estratégico de energia e minerais.
Segundo ele, o mundo vive hoje uma preocupação crescente com segurança energética, alimentar e oferta de minerais críticos, o que fortalece a posição do país no mercado global. “O Brasil, como um país neutro geopoliticamente, pode ser a solução para várias dessas questões”, disse.
Nesse contexto, a Vale aposta no crescimento da produção de minério de ferro e de metais estratégicos para a transição energética, como o cobre e outros minerais críticos. A empresa pretende praticamente dobrar a produção de cobre, passando das atuais 380 mil toneladas para 700 mil toneladas, além de manter o crescimento na produção de minério de ferro, que, segundo Pimenta, já avança pelo terceiro ano consecutivo.
Ferrovia e novos aportes
Durante a entrevista, Pimenta também comentou o andamento das discussões sobre a repactuação ferroviária com o governo federal, especialmente em relação à Ferrovia Vitória Minas, que vai criar ligação entre os municípios de Santa Leopoldina a Anchieta, no litoral sul do Espírito Santo. O presidente disse ainda que está otimista que ainda esse ano o projeto estará pronto para que entre em licitação no ano que vem. A proposta, segundo ele, é que a Vale contribua financeiramente para a viabilidade econômica do projeto, sem necessariamente executar diretamente as obras.
“Isso cria uma condição econômica para viabilizar. Então acho que a gente esá em num bom caminho para que isso possa vir a leilão em algum momento e ter um desenho que funcione para os investidores. O nosso compromisso aqui é de tentar concluir essa repactuação, essa discussão que a gente tem com o governo federal ao longo dos próximos meses, diria os próximos quatro meses.”
Unidade Tubarão completa 60 anos

Durante a entrevista, Pimenta também comentou o andamento das discussões sobre a repactuação ferroviária com o governo federal, especialmente em relação à Ferrovia Vitória a Minas, que deve criar ligação entre os municípios de Santa Leopoldina e Anchieta, no litoral sul do Espírito Santo. O presidente disse ainda que está otimista de que, ainda este ano, o projeto estará pronto para entrar em licitação no ano que vem. A proposta, segundo ele, é que a Vale contribua financeiramente para a viabilidade econômica do projeto, sem necessariamente executar diretamente as obras.
“Isso cria uma condição econômica para viabilizar. Então, acho que a gente está em um bom caminho para que isso possa ir a leilão em algum momento e ter um desenho que funcione para os investidores. O nosso compromisso aqui é tentar concluir essa repactuação, essa discussão que a gente tem com o governo federal ao longo dos próximos meses, diria os próximos quatro meses.”
Unidade Tubarão completa 60 anos
A Unidade Tubarão, operação integrada da Vale em Vitória, completa 60 anos em 2026 e realizou uma solenidade na sede da empresa. O evento contou com a presença de diversas autoridades, como o governador do Estado, Ricardo Ferraço, e os prefeitos da Serra, Weverson Meireles, e de Vitória, Cris Samorini.
Em 2025, as compras destinadas às operações e projetos no Espírito Santo somaram R$ 8,8 bilhões, sendo R$ 4,2 bilhões com fornecedores locais. Empresas capixabas também forneceram produtos e serviços para operações da companhia em outros estados, com faturamento de R$ 1,7 bilhão, o maior volume registrado nos últimos quatro anos.
“Celebrar os 60 anos da Unidade Tubarão é reconhecer a importância do Espírito Santo para a Vale e para a mineração brasileira. Foi aqui que nasceu uma operação pioneira, baseada na integração entre mina, ferrovia e porto, que transformou nossa logística e segue estratégica para o presente e o futuro da companhia. Esse legado, construído ao longo de seis décadas, se sustenta também no diálogo contínuo com a sociedade, que acompanha a evolução da unidade e orienta nossas decisões”, afirma o presidente da Vale, Gustavo Pimenta.
Tecnologia
Sensores, inteligência artificial, operações remotas e o desenvolvimento de novos produtos fazem parte da rotina da Unidade Tubarão, que integra ferrovia, porto e indústria em um sistema logístico único. Ao longo das últimas décadas, a operação incorporou inovações voltadas à eficiência, ao reforço da segurança operacional e às demandas atuais de descarbonização e sustentabilidade.
No Porto de Tubarão, por exemplo, carregadores de navios operam de forma totalmente remota e contam com sistemas anticolisão. A umidade do minério é monitorada com apoio de inteligência artificial, reforçando a segurança no embarque. O terminal também utiliza drones para leitura de calado e inspeções subaquáticas. No transporte marítimo, o porto recebe navios equipados com velas rotativas e velas rígidas, contribuindo para a redução do consumo de combustível e das emissões.
A pelotização, processo que transforma o minério de ferro em pequenas esferas utilizadas na produção de aço, também opera com suporte de sistemas avançados na Unidade Tubarão. As usinas utilizam automação, sensores e análise de dados, permitindo maior controle, estabilidade operacional e atendimento às especificações da siderurgia.
Em 2023, a Unidade Tubarão inaugurou a primeira usina de briquetes de minério de ferro do mundo. O produto é capaz de reduzir em até 10% as emissões de gases de efeito estufa na produção de aço.
Em 2025, a Estrada de Ferro Vitória a Minas registrou o melhor índice de eficiência energética da última década, resultado de melhorias operacionais que reduziram o consumo de diesel e as emissões de CO₂. A ferrovia é um dos principais eixos logísticos do país, conectando Minas Gerais ao Espírito Santo no transporte de cargas e passageiros.
A operação ferroviária utiliza sistemas de inspeção automática baseados em inteligência artificial, que avaliam diariamente cerca de três mil vagões com apoio de câmeras, sensores e algoritmos. As informações são integradas ao Centro de Controle Operacional, em Vitória, responsável pelo gerenciamento da circulação de trens, com suporte de monitoramento climático e controle de tráfego.


