O que já era um momento de dor para uma família do Norte do Espírito Santo se transformou em revolta e sofrimento ainda maior. Parentes de um recém-nascido denunciam que receberam, por engano, o corpo de outra criança após a morte do bebê em um hospital de São Mateus.
Segundo os familiares, além do luto pela perda do menino Noah, eles precisaram enfrentar deslocamentos entre cidades e novos transtornos até conseguirem receber o corpo correto.
A mãe da criança, Bleniane Souza Santos, contou que procurou atendimento, no dia 13 de abril, na maternidade após perceber que o filho estava pálido e apresentava sinais de complicações nos primeiros dias de vida. De acordo com ela, após insistência da família, o bebê foi socorrido. Pouco tempo depois, parentes foram informados de que o recém-nascido havia morrido.

A avó, Claudirene Souza Santos, relatou que no dia seguinte ao comunicado do óbito, a família recebeu um corpo que não correspondia ao neto.
“No dia que eles avisaram que o Noah tinha falecido, eu fui até a maternidade, fiquei aguardando, vi que não ia resolver e pedi ajuda. No dia seguinte, pegaram um corpinho que não era meu neto e fez com que a gente fosse até Vitória para fazer o exame para saber qual foi a causa da morte. E aí tivemos que levá-lo para outro lugar. Foi quando a maternidade ligou querendo com urgência o bebê que estava lá, que não era meu neto”, contou Claudirene.
Eles então precisaram retornar a São Mateus para buscar o corpo correto e refazer o trajeto.
Segundo a avó, a família ainda enfrentou constrangimentos ao chegar ao local dos exames, em meio à confusão provocada pela troca dos corpos. Ela contou que a família foi ameaçada de ser presa pois ele levaram o bebê errado.
“É muito dolorido a gente passar por isso. Você já passa pela dor da perda e chegar lá na hora e não ser o meu neto, e você ainda correr o risco de ser presa?”, lamentou Claudirene.
Procurada, a direção do hospital não concedeu entrevista. Em nota, a unidade informou que abriu um procedimento administrativo interno para investigar o caso.
Conteúdo colaborativo
João Batista


