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Luiz Emanuel: “Aylton Dadalto traiu a confiança de Pazolini”

Em entrevista exclusiva, líder do Republicanos na Câmara de Vitória desfia críticas ao colega de bancada e diz com todas as letras que ele foi destituído da CCJ, por decisão partidária, como “punição política”

Escrito por Vitor Vogas

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Aylton Dadalto e Luiz Emanuel
Aylton Dadalto e Luiz Emanuel

Segundo vereador mais votado em Vitória em 2024, Aylton Dadalto declarou que tende a apoiar eleitoralmente o governador Ricardo Ferraço (MDB), mesmo sendo do Republicanos, partido do ex-prefeito Lorenzo Pazolini, concorrente direto de Ricardo na corrida ao Palácio Anchieta. Mais que isso: na noite de quinta-feira (16), Aylton participou de um evento em favor da reeleição de Ricardo, ao lado de outros apoiadores do governador, realizado na Grande São Pedro.

As manifestações explícitas de apoio a Ricardo ocorreram logo depois de Aylton ter sido destituído, pelo próprio Republicanos, do cargo de membro titular da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), a mais importante da Câmara de Vitória. Enfim, Aylton rompeu com Pazolini e com o próprio partido, e vice-versa. No tabuleiro político-eleitoral, o vereador mudou de lado.

Bem, na Política, como na Física, toda ação tem uma reação.

Na tarde de sexta-feira (17), o vereador Luiz Emanuel Zouain, grande aliado de Pazolini e líder da bancada do Republicanos na Câmara, conversou com esta coluna. E fez não apenas críticas, mas duras acusações contra Aylton, como a de ter traído a confiança de Pazolini. Aylton rebateu as acusações e declarou que Luiz “quer patrocinar perseguição política” contra ele.

Na condição de líder da bancada, Luiz foi quem cumpriu a missão de “executar” a decisão partidária, comunicando à presidência da Casa a troca de Aylton por outro vereador da sigla como titular da CCJ: Davi Esmael (este, sim, aliado inconteste de Pazolini).

Sem meias palavras, Luiz afirma que a decisão não foi propriamente uma “retaliação” a Aylton. Mais que isso: “Foi uma punição política e partidária”, define, com todas as letras.

Tenho muito carinho pelo Aylton, sou muito amigo da família dele, mas ele cometeu equívocos graves nos últimos tempos e precisa responder por eles. Agora ele está pagando a conta. É uma punição política, por ele ter traído a confiança do prefeito. Não sou eu que decido, mas concordo plenamente com a decisão da direção do Republicanos. E poderão ser tomadas outras medidas.”

Segundo o líder do partido de Pazolini na Câmara, Aylton teria “traído a confiança” do então prefeito por atitudes tomadas por ele durante o processo de discussão da próxima eleição da Mesa Diretora da Câmara – inicialmente marcada para a primeira quinzena de dezembro, mas agora adiada para o fim do ano, por força de decisão do ministro Gilmar Mendes, do STF.

Luiz afirma que Aylton teria demonstrado “ingratidão” a Pazolini, principalmente (mas não só) ao se aliar ao grupo político de Ricardo Ferraço e do ex-governador Renato Casagrande (PSB).

Segundo o líder do Republicanos, a ingratidão é ainda maior porque, nas palavras dele, foi graças ao apoio do então prefeito que Aylton conseguiu se eleger em 2024, com votação surpreendente para um estreante nas urnas.

“Em 2024, na formação da chapa de vereadores do Republicanos, eu já estava na chapa e trabalhei muito para trazer o Aylton para o partido. Ele tinha dúvidas sobre filiação partidária. Na minha opinião, ele conseguiu se projetar na política em função da relação estabelecida por ele com Pazolini no primeiro mandato do prefeito. Além de ter exercido cargos na administração, ele construiu a imagem dele como presidente do Conselho Municipal de Segurança. Para chegar ao cargo, foi bancado politicamente pelo próprio Pazolini”, resgata o líder do Republicanos.

“Aylton foi eleito pelo Pazolini. Não teria chegado à Câmara se não tivesse tido o apoio político total da Prefeitura de Vitória… um apoio que eu, por exemplo, não tive. Acho até que o Pazolini votou nele para vereador. É por isso que o queríamos tanto no Republicanos: porque sabíamos que ele teria uma grande votação, como teve.”

Luiz também opina que Aylton teria sido “desrespeitoso” com a então vice-prefeita, Cris Samorini (PP), no ano passado, ao manifestar na imprensa interesse em se candidatar à Prefeitura de Vitória já no próximo pleito municipal. Isso porque o vereador sabia que ela tinha grandes chances de assumir agora o cargo de prefeita, como de fato acaba de assumir, e que portanto estaria (como está) habilitada a concorrer à reeleição em 2028, com o apoio do Republicanos.

Segundo o líder do partido na Câmara, as declarações não foram bem-vistas dentro do grupo de Pazolini. “Aylton criou um ambiente desfavorável para ele mesmo.” Teria ficado a sensação de que o estreante vereador estaria cogitando a ideia de “furar a fila” estabelecida no grupo político.

“Ele se elege, assume o mandato e a primeira declaração que ele dá é que ele quer ser prefeito de Vitória. É legítimo. Qualquer um de nós pode querer isso, talvez eu também queira… Agora, nas condições em que ele foi eleito, sabendo que o Pazolini poderia renunciar, como de fato fez agora, isso é no mínimo um desrespeito frontal à Cris Samorini”, opina Luiz.

Trabalhos da CCJ

Quanto aos trabalhos propriamente ditos da CCJ, o líder do Republicanos declara que Aylton não era um membro atuante. Ao contrário, na sua avaliação, seria “negligente” com os deveres de membro titular do colegiado.

A CCJ se reúne a cada duas segundas-feiras, das 8h às 9h30. De acordo com Luiz, Aylton atrasava-se frequentemente para as reuniões da comissão, precisando ser regularmente substituído pelo suplente, Davi Esmael (que, segundo ele, na prática, já era quase um titular).

“Como líder do Republicanos, eu o indiquei para ser membro titular da CCJ, pois reconhecemos nele todos os requisitos para isso. Mas também sou o presidente da comissão e, como tal, preciso te dizer: não é verdade que Aylton era um membro exemplar. Ele sabe disso. Nunca conseguiu se colocar como membro ativo da CCJ. Ao contrário, sempre negligenciou a posição dele na comissão”, critica Luiz.

“Tive algumas dificuldades ao longo desse período, porque eu sempre convocava as reuniões com antecedência e ele chegava atrasado em todas. O Davi Esmael, como suplente, chegava regularmente no horário, ficava à disposição e, muitas vezes, precisou substituí-lo. Isso é fato, e todo mundo que acompanha os trabalhos da Câmara sabe disso. É só olhar os vídeos das reuniões no YouTube.”

Ainda de acordo com o líder partidário, Aylton não decidiu externalizar agora seu apoio a Ricardo Ferraço como consequência da sua destituição da CCJ. Só estaria agora explicitando um posicionamento que ele no fundo já havia definido há algum tempo.

“Ele está fazendo isso para se vitimizar, num processo onde ele não é vítima. Não escolheu o Ricardo agora por causa disso. Ele já tinha escolhido o Ricardo. Não precisa arrumar subterfúgios agora para justificar essa decisão.”

Por fim, Luiz enfatiza que a decisão de retirar Aylton da CCJ não foi tomada por ele, mas pelas instâncias diretivas do Republicanos, presidido em Vitória por Leandro Borges e no Estado por Erick Musso. “Foi tomada em âmbito partidário, e só encaminhei porque era minha prerrogativa.”

O líder da bancada acrescenta que não tem nada pessoal contra o (ainda) colega de partido. “Tenho uma relação muito antiga e fraterna com a família do Aylton. Sou grande amigo do pai dele e gosto muito dele pessoalmente. Ele é amigo dos meus filhos.”

Amigos amigos, posições político-eleitorais à parte.

Outro lado: “perseguição política”

Em nota, transcrita na íntegra a seguir, Aylton Dadalto diz ser vítima de “uma narrativa fantasiosa de quem quer patrocinar perseguição política só porque se sentiu contrariado”.

Tenho profundo respeito pelo meu colega Luiz Emanuel, mas o que estamos assistindo é uma narrativa fantasiosa de quem quer patrocinar perseguição política só porque se sentiu contrariado.”

E prossegue:

Os fatos mostram o meu trabalho na Comissão de Constituição e Justiça. Foram mais de 160 pareceres emitidos por mim na Comissão, em variados temas tratados nos Projetos de Lei. Além disso, cerca de 30% dos projetos que passaram na CCJ foram relatados por mim no período em que atuei.

Inventar argumento é estratégia ultrapassada de político profissional. Mas eu vou continuar pautando meu trabalho no diálogo, respeito e transparência. Meu compromisso é com Deus, com o morador de Vitória e com a verdade.

Quanto às minhas posições políticas atuais e futuras, elas serão debatidas por mim e por meu grupo e serão anunciadas no momento certo.

O que eu quero afirmar é que tenho compromisso com a cidade, vou apoiar tudo que for positivo para as pessoas, tudo que representar avanço. É isso que se espera de um vereador. Tenho enorme respeito pela prefeita Cris Samorini e inclusive estou à disposição dela para contribuir com nossa Capital. Ela já se reuniu com vários vereadores e estou aguardando a minha vez.

Para encerrar o assunto, quero dizer que na vida e na política a gente precisa aprender a lidar com as diferenças, a aceitar o contraditório. Isso faz parte da democracia. É nisso que eu acredito com muita humildade e sem medo de exercer o meu mandato.

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