Disputa: Santa Teresa pode perder título histórico italiano

Santa Teresa foi reconhecida, em 2017, como pioneira da imigração italiana no Brasil

Escrito por Josue de Oliveira

Compartilhe

Santa Teresa tem o título de primeira cidade colonizada por italianos no Brasil. Foto: Divulgação (Prefeitura)

Santa Teresa, na Região Serrana do Espírito Santo, pode perder o título de primeira cidade da colonização italiana no Brasil. O motivo é a tramitação, na Câmara dos Deputados, de um projeto de lei que concede reconhecimento semelhante ao município de São João Batista, em Santa Catarina.

A preocupação mobilizou a Prefeitura de Santa Teresa, que intensificou a articulação política em Brasília para garantir a manutenção do título de pioneira da imigração italiana, assegurado pela Lei Federal nº 13.617/2018.

Em agenda recente, o prefeito Kleber Medici se reuniu com os deputados federais Gilson Daniel e Helder Salomão, além do presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), Leur Lomanto Júnior. O objetivo foi reforçar a legitimidade histórica do reconhecimento concedido ao município capixaba.

Durante o encontro, foram apresentados documentos técnicos, históricos e jurídicos que sustentam o título. O material reúne contribuições de instituições como o Arquivo Público do Estado, o Circolo Trentino de Santa Teresa, os Frades Capuchinhos (ESFA), o Comites (Comitê dos Italianos no Exterior), a Amunes e o próprio município.

Segundo a prefeitura, o reconhecimento não é simbólico, mas baseado em registros históricos consolidados. A colonização italiana em Santa Teresa remonta à chamada Grande Imigração Italiana, iniciada em 1874 com a Expedição Tabacchi, considerada marco da chegada organizada de imigrantes ao país.

O debate ganhou força com o avanço do Projeto de Lei nº 9.811/2018, que propõe conceder a São João Batista o título de Capital Nacional da Imigração Italiana. A proposta já foi aprovada na Comissão de Cultura e aguarda análise da CCJ.

Enquanto o impasse segue no Congresso, Santa Teresa reforça a preservação da cultura italiana por meio de eventos tradicionais, como a Festa do Imigrante Italiano (Carretela), além de iniciativas institucionais, como o ensino da língua italiana na rede municipal e sua cooficialização no município.

Para o prefeito, uma eventual perda do título representaria um retrocesso cultural e histórico, com impacto direto na preservação da memória da imigração italiana no Brasil.

Saiba mais sobre Santa Teresa

Santa Teresa é o principal polo de produção de uva e vinho do Espírito Santo, responsável por cerca de 80% da produção estadual. Além disso, o município é reconhecido como o berço da colonização italiana no Brasil, com origem datada de 1874.

A história começa com a chegada de imigrantes italianos ao país, inicialmente pelo navio “La Sofia”, que desembarcou no Espírito Santo com centenas de famílias. Posteriormente, novos grupos chegaram e foram direcionados à região de Timbuí, onde deram início à formação do povoado que originou Santa Teresa.

O nome da cidade, segundo a tradição local, surgiu da devoção de moradores a Santa Teresa de Ávila, reunidos em torno de um quadro da santa para momentos de oração.

Com o passar dos anos, outras correntes migratórias também chegaram à região, incluindo alemães, suíços e poloneses. Esses colonos impulsionaram a agricultura local, com destaque para o cultivo de café, cereais e, especialmente, a uva.

O crescimento foi rápido. Santa Teresa se tornou município em 1891 e consolidou sua importância histórica ao ser oficialmente reconhecida, em 2017, como pioneira da imigração italiana no Brasil.

Leia também

Para melhorar a sua navegação, nós utilizamos Cookies e tecnologias semelhantes.
Ao continuar navegando, você concorda com tais condições.

Política de Privacidade