Mancha na Guarderia: TCES valida teste que reprova qualidade da água

Recentemente uma macha escura chamou atenção na Guarderia

Escrito por Josue de Oliveira

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Uma mancha na praia da Guarderia causou preocupação nos banhistas que frequentam o local. Foto: Divulgação

Uma decisão do Tribunal de Contas do Estado do Espírito Santo (TCE-ES) reforçou a necessidade de mudanças no monitoramento da qualidade das águas em Vitória. O órgão recomendou que a Prefeitura aprimore os mecanismos de controle, fiscalização e análise da balneabilidade das praias da capital, principalmente na Praia da Guarderia, onde recentemente uma macha de poluição ganhou as redes sociais.

A medida foi tomada em decisão monocrática do conselheiro Sebastião Carlos Ranna de Macedo. O entendimento tem como base um relatório técnico que identificou o lançamento irregular de efluentes na rede de drenagem pluvial. A prática é considerada infração ambiental e pode provocar poluição.

Além disso, o Tribunal reconheceu exames independentes realizados pelos vereadores Pedro Trés (PSB) e Bruno Malias. Os testes apontaram níveis elevados de contaminação em praias da cidade. A Corte recomendou que a metodologia utilizada seja considerada no aprimoramento das análises oficiais.

Segundo a decisão, o relatório técnico também aponta fragilidades na atuação do município. Entre os problemas, estão falhas na fiscalização ambiental e a ausência ou insuficiência de mecanismos eficazes de monitoramento. Para o conselheiro, essas lacunas podem ter contribuído para a ocorrência das irregularidades identificadas. Diante disso, o TCE-ES orienta a adoção de critérios mais completos para aferir a balneabilidade.

A investigação teve início após indícios de contaminação nas praias da Guarderia e da Ilha do Frade. Há suspeita de que o problema esteja relacionado ao despejo de efluentes no sistema de drenagem de águas pluviais.

Após a decisão, o vereador Pedro Trés informou que pretende convocar os secretários municipais de Obras e de Meio Ambiente. O objetivo é obter esclarecimentos sobre a contaminação das praias e as medidas adotadas pela Prefeitura.

O parlamentar também cobra respostas a requerimentos anteriores. Ele aponta falta de retorno por parte do Executivo.

Entre os pontos que devem ser esclarecidos estão a origem da contaminação e o plano de ação para resolver o problema. A situação das praias da Guarderia e da Curva da Jurema também deve ser abordada. Para viabilizar a convocação, é necessário reunir 11 assinaturas e aprovar o pedido em plenário.

Testes indicaram contaminação elevada

Em fevereiro, os vereadores financiaram análises independentes da água nas praias da Guarderia e da Curva da Jurema. Os resultados indicaram níveis de contaminação até 40 vezes superiores ao permitido pelas normas do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama).

Com base nesses dados, foram enviados pedidos de informação a órgãos responsáveis pelo monitoramento da água e pela gestão das redes de esgoto e drenagem.

O Ministério Público instaurou um grupo de trabalho para acompanhar o caso. Já o Tribunal de Contas passou a analisar os dados e, agora, reconhece a metodologia utilizada nos exames.

O que diz a prefeitura:

A Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semmam) ampliou o monitoramento na região para investigar possíveis causas contribuintes. Além da coleta rotineira às segundas-feiras, foram implementadas análises extraordinárias aos sábados, nos pontos 10 a 14, com expansão dos parâmetros microbiológicos e físico-químicos.
A PMV participa ativamente do Grupo de Trabalho (GT) liderado pelo Ministério Público do Espírito Santo (MPES, que estabeleceu ações representando um avanço significativo na fiscalização ambiental da capital. A iniciativa conta com composição técnica e institucional de excelência: Prefeitura de Vitória (PMV), IEMA, Cesan, Ministério Público, representantes do Legislativo municipal e estadual, ARSP e a comunidade científica (conselhos regionais de Biologia, UFES e Instituto Oceano).
A Semmam pondera, ainda, que o programa de balneabilidade na capital é pioneiro no Estado e monitora semanalmente 26 pontos distribuídos ao longo da orla. As coletas de amostras ocorrem às segundas-feiras, com análise microbiológica baseada no indicador coliformes termotolerantes. Esse monitoramento é realizado há mais de 15 anos, de forma ininterrupta.
Esclarece, ainda, que essas praias recebem diariamente contribuições hídricas do Canal de Camburi, que atravessa o estuário marinho do manguezal de Vitória e deságua nas nossas praias. O canal é influenciado por características ambientais locais, além de contribuições vindas de outros municípios com cargas de poluição, como esgotos in natura, lixo urbano, resíduos industriais e fertilizantes oriundos do Rio Santa Maria da Vitória, conforme relatos de fiscalizações históricas, impactando a qualidade das águas da Baía de Vitória.
Além da preocupação com os nutrientes lançados ao longo da bacia hidrográfica do Rio Santa Maria, é preciso ter em mente que a baía de Vitória é cercada por quatro municípios, razão pela qual a responsabilidade pela qualidade das águas é necessariamente compartilhada, exigindo ações e esforços conjuntos de todas as cidades banhadas, haja vista a abrangência metropolitana desse desafio.
Finalmente, a Prefeitura de Vitória reafirma seu compromisso prioritário com o cuidado ao cidadão e está aberta a dialogar com a sociedade para adotar os melhores padrões de análise – inclusive normatizações internacionais mais restritivas que as resoluções do Conama, se necessário.

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