Viver 24 anos já seria suficiente para tornar qualquer cachorro uma raridade. No caso de Toddynho, em Vitória, a história ganhou outro capítulo improvável quando, já cego e surdo, ele desapareceu por cinco dias e foi encontrado na última sexta-feira (27), depois de mobilizar moradores e uma rede de buscas.
O cachorro sumiu após o portão da casa destravar sem que a família percebesse. “Meu pai achou que o portão estava fechado, mas ele destravou e o Toddynho saiu”, contou a tutora, Crisley Dalto. A partir dali, começaram as buscas.
Um caminho além do que ele conhecia
Com idade avançada e limitações, Toddynho quase não anda dentro de casa. Ainda assim, naquele dia, seguiu por um trajeto diferente do habitual. Desceu um morro e chegou até a Rodovia Serafim Derenzi, onde acabou chamando atenção ao parar o trânsito.
“Ele não tem noção de direção. Acho que foi tentando encontrar a casa e acabou se afastando cada vez mais”, disse Crisley.
Depois de ser visto na rodovia, uma mulher amarrou o cachorro em uma rua próxima, em frente à distribuidoras de gás, e acionou o Centro de Zoonoses. Quando voltou ao local, porém, ele já não estava mais lá.
Quem acolheu o animal foi uma moradora conhecida como dona Terezinha, que vive a poucos imóveis dali. Sem uso frequente de redes sociais, ela não conseguiu avisar rapidamente que estava com o cachorro, o que atrasou o reencontro.
Três dias de buscas
Durante o período em que Toddynho esteve desaparecido, a tutora percorreu bairros próximos, fez buscas a pé e de carro e divulgou informações em grupos de moradores.
“Foi uma mobilização muito grande. Muita gente ajudando, compartilhando, procurando. Pela idade dele, todo mundo ficou sensibilizado”, afirmou.
O reencontro aconteceu na última sexta-feira (27). “Ele estava tremendo muito. Não quis beber água quando ofereceram. Quando chegou em casa, comeu bastante”, relatou.
Amor e história
Mais do que a idade, Toddynho carrega uma história construída dentro da própria família. Segundo Crisley, mesmo com as limitações, ele mantém traços de um comportamento brincalhão e afetuoso, que atravessou os anos. “Ele sempre foi muito ligado à gente, muito carinhoso. Mesmo agora, do jeitinho dele, ele interage, busca proximidade”, disse.
O cachorro nasceu em casa e nunca saiu desse convívio. Filho de um cão chamado Toddy, ele foi o primeiro filhote de uma ninhada acompanhada pela mãe da tutora. “Minha mãe fez o parto e disse que aquele seria dela. Ele faz parte da minha infância, da nossa história”, contou.
A longevidade também marca a história da família. O pai de Toddynho, o Toddy, também viveu 24 anos. “Ele já passou por outras fugas e voltou. É resistente”, afirmou.
De volta ao lugar de sempre
Após o resgate, Crisley tentou levar o cachorro para o próprio apartamento, mas ele não se adaptou. “Ele passou a noite tentando sair, batendo a cabeça, se escondendo. Ficou claro que queria voltar.”
Toddynho foi levado novamente para a casa do pai da tutora, onde sempre viveu. Segundo ela, é lá que o cachorro reconhece, mesmo sem enxergar e sem ouvir.
Quantos anos vive um cachorro?
A história de Toddynho chama atenção justamente por fugir da média. De acordo com informações do site da Pedigree, os cães costumam viver entre 10 e 13 anos, com sinais de envelhecimento surgindo por volta dos 7 anos.
Esse tempo pode variar conforme o porte, a raça e os cuidados ao longo da vida. Cachorros de pequeno porte tendem a viver mais, com expectativa entre 12 e 18 anos, podendo chegar a até 22 anos em alguns casos. Já os de médio porte vivem, em média, entre 10 e 14 anos, enquanto os de grande porte ficam entre 5 e 12 anos.
A raça também influencia nesse cenário. Cães como Chihuahua e Yorkshire Terrier costumam ultrapassar os 16 anos, enquanto raças maiores, como Rottweiler e Mastim Napolitano, têm expectativa menor, geralmente até os 10 anos.
Ainda segundo o conteúdo da Pedigree, cães sem raça definida podem viver mais do que os de raça, com média entre 13 e 14 anos, possivelmente por apresentarem maior resistência a doenças. Mesmo assim, fatores como alimentação, rotina e acompanhamento veterinário continuam sendo determinantes.
Entre os sinais mais comuns da velhice estão perda de visão ou audição, aumento da sonolência, dificuldade de locomoção, mudanças de comportamento e problemas de saúde mais frequentes. Com acompanhamento adequado, é possível garantir qualidade de vida mesmo na fase mais avançada.
No caso de Toddynho, a idade avançada e a recuperação após dias desaparecido reforçam uma trajetória que foge à média e evidencia o vínculo construído ao longo de toda uma vida em família.



