Socorrista do Samu denuncia chefe por assédio sexual no ES

A profissional afirmou ter atuado no Samu entre 2024 e 2025 e relatou que as abordagens do chefe tiveram início já no seu ingresso.

Escrito por Redação

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Foto: Reprodução / TV SIM SBT

Uma técnica de enfermagem socorrista do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) denunciou o próprio chefe por assédio sexual em Colatina, no Noroeste do estado. A mulher, que não será identificada, afirmou ter trabalhado no local entre 2024 e 2025 e relatou que as abordagens começaram desde quando ela ingressou no local.

Em entrevista à TV SIM/SBT, a profissional contou que, ao buscar orientação para desempenhar funções — já que não tinha experiência prévia na área —, passou a receber propostas inapropriadas do superior. Segundo ela, o homem condicionava ajuda no trabalho a encontros fora do expediente, como passar fins de semana juntos e sair para beber vinho.

“Com o tempo, ele foi condicionando os meus atendimentos e os pedidos que eu tinha ali para que eu melhorasse tanto para mim quanto para os meus pacientes, oferecendo um atendimento de mais qualidade e que também me trouxesse mais segurança. Ele começou a fazer isso em troca de benefícios: que eu passasse o final de semana lá, que fosse pessoalmente conversar com ele depois do expediente. E, com o tempo, ele passou a me enviar mensagens explicitamente de cunho sexual”, relatou a técnica.

Um dos episódios relatados ocorreu em novembro de 2024, quando a socorrista pediu uma mudança em uma escala da ambulância por dificuldade de adaptação. De acordo com a denúncia, o chefe teria condicionado o atendimento do pedido a um encontro entre os dois, sugerindo “estreitar a amizade”.

Mensagens e pressão no trabalho

A mulher afirma que, a partir desse momento, o assédio se intensificou, inclusive com envio de mensagens, algumas com visualização única, por aplicativos. Em uma delas, o chefe teria feito comentários de cunho sexual, dizendo que ela “deveria ser linda pelada” e, em outra ocasião, feito um convite explícito para manter relação íntima.

Ainda segundo a vítima, decisões relacionadas à escala de trabalho e ajustes na equipe passaram a ser condicionadas, direta ou indiretamente, a um envolvimento pessoal com o superior.

Ela relata que passou a apresentar problemas de saúde mental, com crises de ansiedade, em decorrência da situação. Também afirmou que o chefe evitava tratativas profissionais no ambiente de trabalho, insistindo para que conversas ocorressem fora do expediente, em seu apartamento.

“Isso tudo foi uma pressão tão grande sobre mim que, por fim, a bomba estourou e eu tive uma crise de pânico no local de trabalho. Entrei em depressão e tive crises de ansiedade horríveis.”

Ameaças e demissão

A socorrista disse ainda que foi alertada pelo chefe de que sua situação no Samu poderia “ficar complicada” caso não aceitasse as investidas. Segundo o relato, após resistir, ela acabou sendo afastada e posteriormente demitida.

Depois da saída, a mulher afirma ter tomado conhecimento de que comportamentos semelhantes do mesmo gestor já teriam sido denunciados anteriormente ao Ministério Público, em outro município da região, embora não saiba o desfecho.

Denúncia e possíveis testemunhas

A vítima informou que chegou a procurar o presidente do consórcio responsável pelo Samu na região para relatar o caso e apresentou conversas mantidas com o chefe por aplicativo de mensagens.

Ela também afirma que parte das situações teria sido presenciada por outros funcionários, que podem ser ouvidos como testemunhas.

Desde então, segundo a socorrista, ela enfrenta problemas de saúde relacionados ao caso.

O que diz o consórcio responsável pela gestão do Samu 192

Em nota, o Consórcio Público da Região Noroeste do Espírito Santo (CIM Noroeste), responsável pela gestão do Samu 192 na região, informou que “recebeu com extrema preocupação as informações relativas ao caso mencionado”.

Segundo o consórcio, até o momento, não houve comunicação formal sobre a instauração do referido procedimento, não havendo, portanto, conhecimento oficial dos fatos. A entidade afirma ter tido acesso apenas às notícias veiculadas, sem menção específica às circunstâncias ou aos envolvidos.

O CIM Noroeste reafirmou, de forma categórica, sua postura institucional de absoluto repúdio a qualquer conduta que possa configurar assédio, especialmente de natureza sexual, no ambiente de trabalho. De acordo com a nota, tais práticas são totalmente incompatíveis com os princípios que regem a Administração Pública e com os valores éticos que orientam a atuação do consórcio.

Por fim, considerando tratar-se de uma questão possivelmente submetida a apuração sob sigilo, o consórcio destacou que se resguarda no dever de cautela, razão pela qual não é possível tecer comentários adicionais sobre o caso neste momento.

A instituição concluiu informando que permanece à disposição para eventuais esclarecimentos institucionais.

* Com informações de Elisangela Ramos, da TV SIM SBT.

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