O policial rodoviário federal Diego Oliveira de Souza, que matou a tiros a comandante da Guarda de Vitória, Dayse Barbosa, de 37 anos, e se matou em seguida, respondia a um Processo Administrativo Disciplinar (PAD) na corporação por importunação sexual.
De acordo com a PRF, o PAD foi iniciado assim que a polícia tomou conhecimento do fato, em meados de 2025, e está nos procedimentos finais de apuração. A expectativa era de que o policial fosse demitido, conforme prevê o trâmite nesse tipo de caso.
Segundo relatos, Diego era investigado por tentar estuprar uma colega de farda e só parou após a mulher conseguir se desvencilhar dele, alertando que aquilo seria um estupro. Porém, mesmo assim, ele continuou questionando porque ela não queria se relacionar com ele.
Comportamento controlador e possessivo
Segundo a delegada Raffaella Aguiar, após Diego assassinar a comandante Dayse, pessoas comentaram que ele era um homem ciumento, possessivo e extremamente controlador.
Relatos de familiares apontam que Dayse vinha sendo perseguida pelo ex-namorado, que não aceitava o fim do relacionamento, descrito como conturbado. Apesar disso, não houve registro formal da situação, e o caso nunca chegou a ser investigado.
“A violência não começa naquele disparo que ceifou a vida dela, começa naquele primeiro controle, na hora que ele fala ‘essa roupa não é adequada', ‘você não vai conversar com fulano'. Perceber essa violência e procurar ajuda não é um ato de fraqueza, mas sim de coragem. Se ela tivesse buscado ajuda antes, talvez não teríamos chegado a esse fim fatídico”, alertou a delegada.
Comandante foi sepultada com honrarias e homenagens
A comandante da Guarda Municipal de Vitória, Dayse Barbosa, foi assassinada na madrugada desta segunda-feira (23), dentro de casa. Primeira mulher a ocupar o comando da corporação, ela foi morta pelo ex-namorado, o policial rodoviário federal Diego Oliveira de Souza, em um crime com indícios de premeditação.
O enterro da comandante foi marcado por homenagens e forte comoção. Familiares, amigos e colegas de farda se reuniram para a despedida, em um clima de dor e respeito. Durante o velório, abraços e lágrimas traduziram o sentimento de perda. Dayse era reconhecida dentro da corporação como uma liderança firme e próxima da equipe, além de referência para outros profissionais da segurança pública.
Do lado de fora, a homenagem ganhou forma em um cortejo até o Cemitério de Santo Antônio. Viaturas da Guarda Municipal acompanharam o trajeto, formando um corredor simbólico de despedida. As sirenes foram acionadas não como alerta, mas como sinal de respeito e reconhecimento à trajetória da comandante.

Crime brutal
De acordo com as investigações, o ex-namorado pulou o muro do imóvel, que pertence ao pai da vítima, com o auxílio de uma escada. Após invadir a residência, ele efetuou cinco disparos contra a comandante, que não teve chance de se defender.
A perícia identificou sinais de arrombamento na porta do quarto. Dayse foi encontrada caída no chão, com marcas de tiros na nuca. Cinco projéteis foram recolhidos no local.
Ainda segundo a apuração, o suspeito levava ferramentas como alicate, chave de corte, álcool e faca, além de itens como canivete, carregador de munições e isqueiro, o que reforça a hipótese de que o crime foi planejado.
Após o assassinato, ele tirou a própria vida na cozinha da residência.
Natural de Vitória, Dayse cresceu no bairro Santo Antônio, era formada em Pedagogia e ingressou na Guarda Municipal em 2012. Ao longo da carreira, construiu trajetória voltada à segurança pública e à defesa das mulheres. Suas últimas publicações nas redes sociais tratavam do enfrentamento à violência contra a mulher.


