O enterro da comandante da Guarda Municipal de Vitória, Dayse Barbosa Mattos, foi marcado por homenagens e forte comoção nesta segunda-feira. Familiares, amigos e colegas de farda se reuniram para a despedida, em um clima de dor e respeito. Ela foi assassinada pelo ex-namorado, o policial rodoviário federal (PRF) Diego Oliveira de Souza na madrugada nesta madrugada desta segunda-feira (23).
Durante o velório, abraços e lágrimas traduziram o sentimento de perda. Dayse era reconhecida dentro da corporação como uma liderança firme e próxima da equipe, além de referência para outros profissionais da segurança pública.
Do lado de fora, a homenagem ganhou forma em um cortejo até o Cemitério de Santo Antônio. Viaturas da Guarda Municipal acompanharam o trajeto, formando um corredor simbólico de despedida. As sirenes foram acionadas não como alerta, mas como sinal de respeito e reconhecimento à trajetória da comandante.
Na despedida final, colegas destacaram o legado deixado por Dayse Barbosa. A atuação à frente da Guarda foi lembrada pela dedicação à segurança e pelo cuidado com as pessoas. Dayse deixa uma filha e uma trajetória marcada por compromisso com o serviço público. A memória da comandante permanece entre familiares, amigos e integrantes da corporação.
Segundo o prefeito de Vitória, Lorenzo Pazolini, a morte da Dayse encerrou o período em que o município estava há 650 dias sem feminicídio. O resultado era fruto direto da atuação da comandante, que, nas palavras dele, “deixou o seu recado: protegeu e salvou a vida de centenas de mulheres”.
Em declaração após o crime, Pazolini afirmou que Dayse teve papel central na política de enfrentamento à violência contra a mulher. Ele destacou que a comandante “simbolizava e demonstrava que jamais iremos compactuar com qualquer tipo de violência contra a mulher, seja ela financeira ou física” e que o trabalho era feito de forma contínua, com apoio de diferentes secretarias.
Trajetória na Guarda
Dayse foi a primeira mulher a comandar a Guarda Municipal de Vitória, instituição com quase 20 anos. De acordo com o prefeito, a escolha foi técnica, baseada em “princípios, ética e valores”.
O prefeito ressaltou ainda que a comandante defendia uma atuação sensível e firme, o que contribuiu para ações voltadas à proteção de mulheres, crianças e adolescentes, além da humanização da segurança pública e do policiamento de proximidade. “Todo o legado que ela construiu em sua carreira foi o que a credenciou ao cargo”, afirmou.
Pazolini também destacou o perfil profissional da comandante, descrevendo-a como resolutiva e capaz de buscar soluções mesmo em situações complexas. Segundo ele, “ela sempre buscou soluções até para os casos mais difíceis”.
Entenda o caso

A comandante da Guarda Municipal de Vitória, Dayse Barbosa, foi assassinada na madrugada desta segunda-feira (23), dentro de casa. Primeira mulher a ocupar o comando da corporação, ela foi morta pelo ex-namorado, o policial rodoviário federal Diego Oliveira de Souza, em um crime com indícios de premeditação.
De acordo com as investigações, o suspeito pulou o muro do imóvel, que pertence ao pai da vítima, com o auxílio de uma escada. Após invadir a residência, ele efetuou cinco disparos contra a comandante.
A perícia identificou sinais de arrombamento na porta do quarto. Dayse foi encontrada caída no chão, com marcas de tiros na nuca. Cinco projéteis foram recolhidos no local.
Ainda segundo a apuração, o suspeito levava ferramentas como alicate, chave de corte, álcool e faca, além de itens como canivete, carregador de munições e isqueiro, o que reforça a hipótese de que o crime foi planejado.
Após o assassinato, ele tirou a própria vida na cozinha da residência.
Natural de Vitória, Dayse cresceu no bairro Santo Antônio, era formada em Pedagogia e ingressou na Guarda Municipal em 2012. Ao longo da carreira, construiu trajetória voltada à segurança pública e à defesa das mulheres. Suas últimas publicações nas redes sociais tratavam do enfrentamento à violência contra a mulher.


