A morte da comandante da Guarda Municipal de Vitória, Dayse Barbosa, assassinada na madrugada desta segunda-feira (23), interrompeu um período de mais de 650 dias sem feminicídios na capital. Segundo o prefeito Lorenzo Pazolini, o resultado era fruto direto da atuação da comandante, que, nas palavras dele, “deixou o seu recado: protegeu e salvou a vida de centenas de mulheres”.
Em declaração após o crime, Pazolini afirmou que Dayse teve papel central na política de enfrentamento à violência contra a mulher. Ele destacou que a comandante “simbolizava e demonstrava que jamais iremos compactuar com qualquer tipo de violência contra a mulher, seja ela financeira ou física” e que o trabalho era feito de forma contínua, com apoio de diferentes secretarias.
Ainda segundo o prefeito, esse esforço contribuiu para que Vitória se tornasse, no período, “a capital mais segura para as mulheres do Brasil”. Ele também afirmou que o legado deixado por Dayse deve orientar a continuidade das ações. “Ela nos deixa, mas o seu legado permanece, para que continuemos esse trabalho de proteção”, disse.
Legado e continuidade

Pazolini afirmou que a equipe seguirá atuando para manter as políticas de proteção e disse que a cidade não pode aceitar esse tipo de agressor nem esse tipo de crime, reforçando que o compromisso é dar continuidade ao trabalho já desenvolvido.
O prefeito também mencionou o acolhimento à família da vítima, incluindo a filha de Dayse, que deve receber atendimento psicológico e suporte. Ele destacou ainda que a gestão tem reforçado ações de prevenção em escolas, feiras e locais de grande circulação, aliando educação e punição.
Para o chefe do executivo, o momento exige mobilização coletiva. “É o momento de a cidade se unir ainda mais, e o Espírito Santo também, para reafirmarmos o nosso pacto de não aceitação de qualquer crime contra a mulher”, afirmou.
Trajetória na Guarda
Dayse foi a primeira mulher a comandar a Guarda Municipal de Vitória, instituição com quase 20 anos. De acordo com o prefeito, a escolha foi técnica, baseada em “princípios, ética e valores”.
O prefeito ressaltou ainda que a comandante defendia uma atuação sensível e firme, o que contribuiu para ações voltadas à proteção de mulheres, crianças e adolescentes, além da humanização da segurança pública e do policiamento de proximidade. “Todo o legado que ela construiu em sua carreira foi o que a credenciou ao cargo”, afirmou.
Pazolini também destacou o perfil profissional da comandante, descrevendo-a como resolutiva e capaz de buscar soluções mesmo em situações complexas. Segundo ele, “ela sempre buscou soluções até para os casos mais difíceis”.
Investigação
Sobre o crime, o prefeito disse que a dinâmica inicial aponta para a ação de “um agressor covarde que se utilizou de uma escada para transpor um muro, entrar, violar uma porta”. Segundo ele, Dayse estava em casa, em momento de repouso, quando foi atacada.
A apuração do caso está sendo feita pela Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) e pela Polícia Civil.
Entenda o caso

A comandante da Guarda Municipal de Vitória, Dayse Barbosa, foi assassinada na madrugada desta segunda-feira (23), dentro de casa. Primeira mulher a ocupar o comando da corporação, ela foi morta pelo ex-namorado, o policial rodoviário federal Diego Oliveira de Souza, em um crime com indícios de premeditação.
De acordo com as investigações, o suspeito pulou o muro do imóvel, que pertence ao pai da vítima, com o auxílio de uma escada. Após invadir a residência, ele efetuou cinco disparos contra a comandante.
A perícia identificou sinais de arrombamento na porta do quarto. Dayse foi encontrada caída no chão, com marcas de tiros na nuca. Cinco projéteis foram recolhidos no local.
Ainda segundo a apuração, o suspeito levava ferramentas como alicate, chave de corte, álcool e faca, além de itens como canivete, carregador de munições e isqueiro, o que reforça a hipótese de que o crime foi planejado.
Após o assassinato, ele tirou a própria vida na cozinha da residência.
Natural de Vitória, Dayse cresceu no bairro Santo Antônio, era formada em Pedagogia e ingressou na Guarda Municipal em 2012. Ao longo da carreira, construiu trajetória voltada à segurança pública e à defesa das mulheres. Suas últimas publicações nas redes sociais tratavam do enfrentamento à violência contra a mulher.


