O assassinato da comandante da Guarda Municipal de Vitória, Dayse Barbosa, morta a tiros pelo ex-namorado na madrugada desta segunda-feira (23), trouxe à tona relatos de um relacionamento abusivo vivido pela vítima.
De acordo com o tio da comandante, Paulo Roberto, o relacionamento era conturbado e marcado por idas e vindas. Em entrevista à TV Sim/SBT, ele afirmou que, embora Dayse fosse discreta sobre a vida pessoal, a família já tinha conhecimento dos conflitos.
“Ela não contava nada para ninguém. Sempre foi uma menina dedicada, calada, na dela. Mas o próprio pai já tinha dado vários conselhos. Era um relacionamento de idas e vindas. Ela não acreditava que poderia acontecer isso. Estava vivendo um relacionamento abusivo, mas nunca falou nada para ninguém”, relatou.
Segundo o familiar, a comandante não compartilhava detalhes sobre as agressões, mas havia sinais de violência no relacionamento. “Ele batia nela, xingava e ameaçava. Mas ela não acreditou que isso poderia acontecer”, afirmou.
Paulo Roberto também contou que Dayse vivia com o pai e a filha, de 7 anos, após a morte da mãe.
“Meu irmão perdeu a esposa aos 36 anos. Moravam ele, a Dayse e a filha dela, de outro relacionamento. Depois ela conheceu esse homem, e isso acabou com a família”, disse.
“Uma mulher dedicada e exemplar”, diz tio
Abalado, o tio descreveu a comandante como uma profissional exemplar e uma pessoa de personalidade reservada.
“Uma menina excepcional, boa, inteligente, estudiosa, trabalhadora e dedicada. Infelizmente, veio um covarde e tirou a vida dela”, desabafou.
Relacionamento conturbado
Familiares relataram que a comandante vinha sendo perseguida pelo ex-namorado, que não aceitava o fim do relacionamento. Apesar disso, não houve registro formal da situação, e o caso nunca chegou a ser investigado.
Natural de Vitória, ela cresceu no bairro Santo Antônio, era formada em Pedagogia e ingressou na Guarda Municipal em 2012, construindo uma trajetória marcada pelo destaque na segurança pública e na defesa feminina. Suas últimas publicações nas redes sociais abordavam justamente o enfrentamento à violência contra a mulher.


