Vestígios indicam que assassinato de chefe da Guarda foi premeditado

Dayse Barbosa dormia durante a madrugada quando foi surpreendida pelo ex-namorado

Escrito por Redação

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Dayse cresceu em Santo Antônio, Vitória, e era formada em Pedagogia | Foto: Divulgação

O assassinato da comandante da Guarda Municipal de Vitória, Dayse Barbosa, na madrugada desta segunda-feira (23), interrompeu um período de mais de 600 dias sem registros de feminicídio na capital. Primeira mulher a ocupar o cargo, ela foi morta pelo ex-namorado, um policial rodoviário federal. Segundo a polícia, há indícios de que o crime foi premeditado.

Ao chegar à casa da vítima, a perícia científica encontrou vestígios que reforçam essa hipótese. Dayse Barbosa dormia durante a madrugada quando foi surpreendida pelo ex-companheiro, identificado como Diego de Souza.

De acordo com a perita responsável, a porta do quarto apresentava sinais de arrombamento. A vítima foi encontrada caída no chão, com marcas de tiros na nuca. Cinco projéteis foram localizados no quarto.

Segundo a polícia, após o crime, Diego tirou a própria vida na cozinha da casa. Na bolsa dele, foram encontradas diversas ferramentas, como alicate, chave de corte, álcool, faca e outros instrumentos. Ele também teria utilizado uma escada para acessar o quarto da vítima.

Diego matou a companheira a tiros em Vitória | Foto Redes Sociais

Comandante sofria perseguição, mas nunca denunciou

Relatos de familiares apontam que Dayse vinha sendo perseguida pelo ex-namorado, que não aceitava o fim do relacionamento, descrito como conturbado. Apesar disso, não houve registro formal da situação, e o caso nunca chegou a ser investigado.

“Agora, depois que aconteceu o crime, as pessoas começaram a comentar que ele era um homem ciumento, possessivo, controlador. Isso é importante para que outras mulheres percebam que a violência não começa naquele disparo que ceifou a vida dela, começa naquele primeiro controle, na hora que ele fala ‘essa roupa não é adequada', ‘você não vai conversar com fulano'. Perceber essa violência e procurar ajuda não é um ato de fraqueza, mas sim de coragem. Se ela tivesse buscado ajuda antes, talvez não teríamos chegado a esse fim fatídico”, destacou a delegada Rafaela Aguiar.

“Perda irreparável”

A gerente de Proteção à Mulher da Sesp, delegada Michele Meira, que conhecia a vítima e já havia trabalhado ao lado dela, se disse abalada com o caso.

“Essa entrevista é a mais difícil que eu já fiz em toda minha carreira. É um dia triste, a gente recebe essa notícia com muita indignação, tristeza. Tive a oportunidade de conviver um pouco com a comandante Dayse, nós participamos de ações juntas voltadas ao enfrentamento à violência contra a mulher. Acho que a perda da comandante, da forma como foi, é irreparável e acende um alerta sobre a persistência da violência contra a mulher. E o quanto é desafiador para uma mulher que trabalha no enfrentamento à violência contra a mulher ter a atitude de buscar ajuda. Por muitas vezes elas se sentem envergonhadas, com medo da repercussão que isso pode dar ao seu trabalho e acabam não buscando ajuda. É importante para a gente olhar para as mulheres que trabalham na segurança pública, que sofrem com violência doméstica, porque é algo que nos assola demais”, lamentou  Michele.

O caso, tratado como feminicídio, segue sob investigação da Polícia Civil. O velório de Dayse acontece a partir das 15h30 desta segunda-feira (23), no Cemitério de Santo Antônio, em Vitória. O sepultamento está marcado para as 17h.

Em nota, a Polícia Rodoviária Federal manifestou pesar pelo caso, que também resultou na morte do policial rodoviário federal Diego Oliveira de Sousa, lotado na delegacia da corporação em Campos dos Goytacazes (RJ).

“A PRF lamenta profundamente as circunstâncias da ocorrência, ao mesmo tempo em que reitera seu compromisso com a vida, contra o feminicídio e a violência contra as mulheres”.

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